sábado, 3 de outubro de 2009

Ian Brown - My Way (ou abaixo o mais do mesmo)


Entre o final dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90, Ian Brown integrou o Stone Roses, banda fundamental para toda uma geração que veio a seguir e colocou mais uma vez o Reino Unido no epicentro do furacão musical do planeta. Foram dois álbuns apenas, “The Stone Roses”, de 1989 e “The Second Coming”, de 1994, mas que foram suficientes para esboçar os conceitos do britpop. Sem nenhum medo de errar, pode-se dizer que Oasis, Blur, Suede, Verve e toda a turma foram diretamente influenciados por Ian, John Squire, Mani e Reni, na sonoridade, na postura, no visual e na busca por refrões de levantar estádio Trocando em miúdos: Ian Brown ocupou uma posição de vanguarda durante aquele período citado. A partir da dissolução da banda, o sujeito iniciou uma bem-sucedida carreira solo que chega neste “My Way” ao sexto trabalho.
O grande mérito do sucessor do sensacional “The World Is Yours”, de 2007, está na inquietude demonstrada pelo artista inglês. Explico. Nos últimos tempos muito se falou em um possível retorno do Stone Roses. Isso implicaria naquilo a que todos nós estamos quando gigantes do passado voltam a se reunir: longas turnês caça-níqueis tocando as mesmas músicas de antigamente e um possível novo disco que provavelmente teriam pouco de pouco valor artístico. Valeria a pena apenas para apresentar o show em lugares ainda não explorados e levá-lo a pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de assistí-lo. Pois bem. Ian Brown mostra nesse novo álbum que não se alinha a esse corrente de pensamento que podemos chamar de picareta. Além de não estar aí apenas fazendo cover de si, o músico inglês demonstra a preocupação em não se repetir. E mais do que isso, outra vez seu som contém elementos que o colocam na vanguarda da música pop mundial. Declaradamente inspirado no finado Michael Jackson (que por uma dessas coincidências da vida, veio a deitar o cabelo de vez no dia em que as gravações de “My Way” se encerraram), Ian nos brinda com um disco cheio de músicas com roupagem pop, abusando de sintetizadores, teclados, metais, batidas dançantes e os tradicionais vocais arrastados (algo teria que ser tradicional). Gostei demais das faixas “Stellify”, de “Just Like You” (essa aí deverá rolar nessas festas de eletro-rock com certeza), da versão de “In The Year 2525”, que eu conheci na execução do Ten Years After e na faixa que encerra os trabalhos, “So High”. O disco é uma aula de utilização daquilo que a tecnologia pode oferecer para enriquecer boas canções. Ian Brown domina um estúdio como poucos.
Usando um argumento do artigo escrito pelo NME (tem um link para esse site no canto da página), escutando “My Way”, é possível compreender o porquê “daquela” reunião não acontecer. Completo, dizendo que caso a carreira de Ian Brown continue assim, é melhor que ela não ocorra mesmo. Aí ele estará livre para fazer o que mais sabe: olhar para frente.