segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Arctic Monkeys - Humbug


Com certo atraso, é verdade (ou eu tenho me atrasado muito ou o tempo está depressa demais), vou mandar minhas impressões acerca do último disco do Arctic Monkeys, Humbug, lançado mundialmente no dia 25 de agosto, mas que desde o final de julho já tem integrado o meu playlist, graças à Internet. A rede mundial de computadores, aliás, é parte importante da história dessa banda e um dos motivos pelos quais os Monkeys estão, na minha avaliação, na história da rock. Devo discorrer um pouco sobre isso, acredito que acaba sendo importante para que eu posicione o novo disco no atual cenário pop. Antes mesmo de avaliarmos se estamos diante de uma banda realmente legal ou se eles são mais uma porcaria que os gringos tentam nos empurrar goela abaixo, precisamos reconhecer que o lançamento do primeiro álbum, e os momentos imediatamente anteriores e posteriores a ele são um marco na transformação da indústria fonográfica .O feito se deu mais ou menos assim: lá pelos idos de 2005, ao mesmo tempo em que o AM lançava seus primeiros “compactos”, soltava na internet as mesmas músicas, e ia amealhando fãs que por conta dessa admiração faziam aquela mão para ajudar na divulgação, comentando em fóruns de discussão e afins e mantendo uma página não-oficial no MySpace. Dessa forma, o Arctic Monkeys se tornaram a banda do momento, sem ainda um contrato assinado ou um álbum cheio lançado. Veio então “Wathever People Thinkam, That´s Why I´m Not”, e uma cacetada de CD´s foi vendida logo de cara. Aí é que, sem uma linha de análise sobre o som em si, já dá pra dizer que a banda é um paradigma na transição da fase do domínio das gravadoras, da mídia física para algo que nós ainda não temos bem certeza o que é, mas que já podemos afirmar que a grande rede tem um papel central no modo de relacionamento entre artistas e fãs, no processo criativo e na definição de tendências. Daí que o Arctic Monkeys é uma banda importante.
Sobre o terceiro disco(?), este Humbug que agora comento, muita coisa já foi dita. Que está mais sombrio, que está mais maduro, que a produção de Josh Homme possivelmente seja o fator que traga para o som do Arctic Monkeys esses dois atributos,bla bla bla .... Tantas vezes isso já foi dito, por tanta gente, que isso já virou clichê, mas é verdadeiro. Nesse disco, o AM chega a uma sonoridade que parece tornar contornos que definirão a carreira da banda daqui por diante. Se o primeiro foi um petardo que reuniu diversas talentosas canções explosivas e adolescentes, o segundo cumpriu bem o seu papel de Segundo Disco, ou seja, segurou a banda no falatório sem grandes mudanças, o terceiro traz temáticas mais elaboradas, menos agressividade, mais cadência, bons riffs, maior detalhamento na composição das guitarras. Gostei. Especialmente da faixa que abre os trabalhos, My Propeler, que já vem mostrando muito bem o que eu estou tentando dizer. Criyng Lighthing tem um refrão inspiradíssimo. Ainda destaco a calma e introspectiva Secret Door, em que há até um violãozinho no fundo(!) e a última, The Jeweller´s Hands, uma música que pode ser chamada de madura.
Veja então, que eu falei no primeiro parágrafo, que trato de uma banda importante. No segundo, que se trata de um disco legal. Só posso dizer então para que você baixe ou compre o disco, mas trate de ouvir. Nesse cenário em que eles mesmo ajudaram a (des)construir, em que ainda se busca uma nova definição sobre como o circo todo vai se armar ou se até mesmo se haverá um novo jeito único de fazer as coisas, o Arctic Monkeys prova que no fim das contas, a música sempre acaba se impondo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Prosaico


Não para (agora sem acento) de chover aqui no Estado. Esse evento da natureza desencadeia todas aquelas tragédias que a imprensa não se cansa em reportar, e até por isso comentários meus seriam desnecessários. Quero falar de algo muito menos importante, e por favor não queira com isso entender que sou insensível, alienado ou mesquinho. A pauta de hoje é o prosaico guarda-chuva. Já faz tempo que eu fico deveras admirado com um fenômeno que os dias de chuva nos proporcionam. É certo que na maioria dos dias, pelo menos aqui onde eu vivo, o tempo, se não é de sol, pelo menos é nublado. Isso significa que na maioria do tempo, não chove. Logo, os dias em que São Pedro derrama água sobre nós, representam a exceção, a quebra da rotina e o desconforto. E humanamente buscamos algo que minimize esse desconforto. E quase todos nós buscamos esse "algo" no guarda-chuva. Tá, e aí, isso é óbvio, tu deves estar pensando. Mas é justamente essa obviedade que acaba por me fascinar. Há séculos o melhor remédio para amenizar os efeitos imediatos da chuva é um objeto rudimentar, que consiste na simples interposição de um meio físico acima da linha das nossas cabeças. Ululantemente evidente, simples, elementar, meu caro Watson. Enquanto para todos outros aborrecimentos da vida cotidiana alguém, um cientista ou um desocupado pensou em uma solução melhor, ainda não apareceu absolutamente nada que supere o guarda-chuva. Não me venha com a capa de chuva. Ensacar-me em um plástico não me parece mais eficaz ou confortável do que a solução que venho exaltando. Logo, esse é definitivamente um fenômeno incrível que o dia-a-dias nos revela. E me faz concluir que por mais que avancem as comunicações, os transportes, a ciência, e tudo mais, sempre haverá espaço para o que é simples e bem pensado.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O exemplo do basquete

Talvez seja surpreendente, mas meu esporte preferido é o basquete. Claro, depois do futebol. Mas a verdade é que o esporte da bola laranja me fascina quase tanto quanto a paixão nacional. Me lembro de ver o Corinthians de Santa Cruz do Sul campeão nacional em 1994, de fazer meu pai viajar até lá para ver o saudoso time tricolor atuar, de ver o Bira de Lajeado, também já lamentavelmente saudoso ganhar três títulos gaúchos na sequência, acompanhar o final da carreira de Michael Jordan na NBA, do frio na barriga antes de ver o Brasil levar uma sova dos Estados Unidos tanto no masculino quanto no feminino nas Olimpíadas de Atlanta, das decepções pelas seguidas ausências do time masculino nacional na maior competição de todas, enfim de um monte de coisas. Enfim, posso dizer que acompanhei de perto a evolução do esporte nos últimos anos e pude testemunhar como o basquete nacional perdia espaço, no cenário internacional para outras potências, como a Argentina, e dentro do próprio país para outros esportes, como o vôlei, o que é profundamente lamentável. Vôlei e Argentina, sinceramente...
Mas escrevo para registrar que podemos estar diante do ressurgimento da popularidade do basquete aqui no país. O time nacional vai ponteando a Copa América e com 6 vitórias está classificada com antecipação para o Mundial do ano que vem, na Turquia. Até aí, tudo normal, sempre estivemos nos Mundiais e a classificação era obrigação mesmo. Mas o destaque que tem sido alcançado não está exatamente na vaga, mas na maneira como ela foi obtida. Há anos que víamos o Brasil disputar competições com arremedos de time, sem um plano de jogo adequado, com diversos de seus melhores jogadores em litígio com a Confederação, vaidades pessoais acima do coletivo e apostando em conceitos pelo menos 20 anos atrasados. Continuávamos a jogar como se Oscar estivesse na quadra e a linha de três pontos fosse uma inovação na regra.
E chamávamos isso de "modo brasileiro de jogar basquete". Mas nas 6 vitórias em Porto Rico, tivemos um time forte na defesa, consciente no ataque, lutador e de personalidade. Muito da mudança é fruto da contratação do treinador espanhol Moncho Monsalve, alguém que colocou o dedo na ferida. Alguém que nos fez reconhecer que o "modo brasileiro" é coisa do passado e que não cabe mais no atual cenário do basquete. Que nos fez voltar ao básico e rever pontos que um dia foram motivo de orgulho nacional, para aproveitarmos todo nosso potencial. O que é irônico é que, com uma geração de talento que tem destaques da NBA (Leandrinho, Anderson Varejão e o lesionado Nenê), na Europa (o incrível Marcelo Huertas, o melhor armador que eu já vi com a amarelinha e Tiago Splitter), há anos o Brasil era tratado como a "potência do futuro" na modalidade e ainda assim, por seus erros, pela sua própria falta de capacidade de organização, ficou anos estagnado, amargando um fiasco depois do outro. Qualquer semelhança com outras realidade tupiniquins não são mer coincidência.
Pois bem, como fã do basquete do Brasil espero que a seleção siga evoluindo, que hoje vença o Uruguai e conquiste o título no domingo. Para que essa evolução possa ser amplamente divulgada, comentada e todos nós possamos aprender com ela. E possamos nos livrar do vôlei e da Argentina...