
Não para (agora sem acento) de chover aqui no Estado. Esse evento da natureza desencadeia todas aquelas tragédias que a imprensa não se cansa em reportar, e até por isso comentários meus seriam desnecessários. Quero falar de algo muito menos importante, e por favor não queira com isso entender que sou insensível, alienado ou mesquinho. A pauta de hoje é o prosaico guarda-chuva. Já faz tempo que eu fico deveras admirado com um fenômeno que os dias de chuva nos proporcionam. É certo que na maioria dos dias, pelo menos aqui onde eu vivo, o tempo, se não é de sol, pelo menos é nublado. Isso significa que na maioria do tempo, não chove. Logo, os dias em que São Pedro derrama água sobre nós, representam a exceção, a quebra da rotina e o desconforto. E humanamente buscamos algo que minimize esse desconforto. E quase todos nós buscamos esse "algo" no guarda-chuva. Tá, e aí, isso é óbvio, tu deves estar pensando. Mas é justamente essa obviedade que acaba por me fascinar. Há séculos o melhor remédio para amenizar os efeitos imediatos da chuva é um objeto rudimentar, que consiste na simples interposição de um meio físico acima da linha das nossas cabeças. Ululantemente evidente, simples, elementar, meu caro Watson. Enquanto para todos outros aborrecimentos da vida cotidiana alguém, um cientista ou um desocupado pensou em uma solução melhor, ainda não apareceu absolutamente nada que supere o guarda-chuva. Não me venha com a capa de chuva. Ensacar-me em um plástico não me parece mais eficaz ou confortável do que a solução que venho exaltando. Logo, esse é definitivamente um fenômeno incrível que o dia-a-dias nos revela. E me faz concluir que por mais que avancem as comunicações, os transportes, a ciência, e tudo mais, sempre haverá espaço para o que é simples e bem pensado.
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