quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mexe no tapete!

A casa precisava de uma mudança ou eu precisaria me mudar. Era só o que eu sabia. Estava cansado de ocupar os mesmos espaços do mesmo jeito, a situação já era desconfortável para mim. Não me sentia "em casa" na minha própria casa. Com o perdão da redundância, se eu não me sentisse em casa na minha própria casa, onde mais me sentiria? As questões então passaram a ser outras: mudar como e o quê? Mudar para um apartamento maior? Não dá, a fase de transição que atravesso não permitiria nem viver no atual local sem ajuda dos meus pais. Novos móveis? A resposta anterior é aplicável, no que cabe, também a esta pergunta. Então, no canto em que me escondo hoje, o que poderia ser alterado? O espaço é limitado, as peças são poucas e a impressão que sempre tive olhando para a disposição dos meus pertences é de que se algo sair de onde está, um caos total se instalaria. Difícil situação.
Foi aí que, por um instante tive que me abaixar para retirar alguma coisa de um compartimento do móvel da sala. Com a maior parte do meu corpo próxima ao chão, senti o frio que vinha das lages e imaginei que talvez a mudança, pequena, pudesse começar por ali. Precisava abafar aquela sensação "polonórtica" que era oriunda dali. E em um segundo de reflexão, talvez o único que eu tenha dispensado à ela sobre o assunto durante todo esse tempo de desconforto, apareceu a ideia de colocar um tapete na sala. No segundo seguinte, me lembrei que havia um no quarto, que ninguém, absoltumente ninguém que passa por ali dá a menor importância, a não ser quando precisa varrer o local e o tapete está ali a atrapalhar. De pronto, o que fiz foi pegar o até então maldito tapete e trocar sua posição. Algo simplório, singelo, até óbvio demais. Mas que transformou a sala, onde passo a maior parte do tempo quando estou em casa, em um local mais aconchegante, não tão frio, no sentido real e no sentido figurado, além de tornar mais fácil a tarefa de limpar o quarto.
Às vezes, tudo o que é necessário é mexer no tapete...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Diversas coisas, num estilo mais conciso


Tenho mil assuntos na cabeça, diversos textos em potencial, e um misto de vontade de escrever com preguiça para desenvolver as ideias. Então, no estilo twitter (tá, nem tão curto assim), aí vai:


1)Com um certo atraso, sobre a manifestação do CPERS em frente à casa da governadora: As ações da direção do sindicato tem maculado algumas das justas reinvindicações da classe. Não é agindo assim que vocês irão iluminar o caminho da gurizada.


2)Futebol: Tite vai acabar morrendo abraçado com a ideia do losango e a manutenção de alguns jogadores que se arrastam em campo. O meio-campo colorado é mal concebido, a defesa fica desprotegida e o ataque isolado. Indio e Magrão estão comprometendo a equipe e permanecem.


3) Ontem assisti a um filme que me surpreendeu, e sobre o qual estou até agora refletindo. American Teen, documentário do diretor Nannette Burstein. A premissa do filme é o acompanhamento do dia-a-dia de 5 estudantes em seu último ano de high school em uma pequena cidade do interior de Indiana, EEUU. Para isso, o diretor captou mais de 1000 horas de imagens durante dez meses de convívio na comunidade. Sensacional como Burstein foi buscar o substrato humano de cada um dos participantes do filme em um momento dos mais complicados da vida de cada um até ali, a transição para a vida adulta.

Se existe uma crítica negativa a ser feita é a de que em alguns momentos parece que a coisa toda é roteirizada. Todavia essa impressão está longe de comprometer a importância e a beleza do filme. Recomendo.
LEGENDA: Na foto, uma referência ao clássico "Clube dos Cinco".


4) Também com certo atraso, esse, um considerável atraso de dez anos, estou curtindo o segundo disco da banda escocesa Travis, The Man Who. Melodias inspiradíssimas, levadas a partir do violão (em 1999 era possível fazer isso sem que te rotulassem de folk e te comparassem com o Bob Dylan, como fazem hoje com qualquer um que use um violão de aço), com uma banda competentíssima na escolha dos timbres e no desenvolvimento da sonoridas. O Travis é tudo aquilo que eu um dia imaginei que o Coldplay se tornaria. Apesar de que no comparativo entre as duas bandas, a do Chris Martin tem a seu favor Clocks e In My Place...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cadillac Records


Era sexta-feira, dia 3 de julho de 2009. Como todos os dias faço desde que tinha seis ou sete anos de idade, ao acordar, me dirigi à porta de casa e ajuntei a edição diária de Zero Hora. Primeiro, debulhei as páginas de esportes, que narravam pela perspectiva gremista -todos sabem que o citado jornal carrega o sentimento tricolor na sua linha editorial – a eliminação do clube da Azenha da Taça Libertadores, ocorrida na noite anterior. Em seguida, como sempre faço, parti para a leitura do Segundo Caderno, onde me deparei com uma reportagem sobre o lançamento, DVD, do filme Cadillac Recordas, que conta a saga da mítica gravadora Chess Records. De pronto, me interessei pelo assunto abordado na película, e tratei de obtê-la. À noite, assisti Cadillac Records, e passo a seguir a dividir as minhas impressões sobre o filme.
Como eu já disse, o Cadillac Records conta a história da gravadora Chess Records, fundada em meados dos anos 40 pelo executivo Leo Chess. A gravadora pode ser classificada como o grande catalisador do fenomenal blues de Chicago, tendo sido responsável pelo lançamento das carreiras de nomes como Muddy Waters, Howlin´ Wolff, Charles “Chucky” Berry, Etta James, Little Walter, Willie Dixon (todos personagens do filme), Bo Didley, Buddy Guy, entre outros. Pode-se afirmar sem dúvida, que nos estúdios da Chess, o blues, o rithym n´ blues e o rock n´roll tornaram os contornos que os tornaram estilos universais. O som de artistas como os citados acima foi influência direta para muitos artistas das gerações seguintes, principalmente os Rolling Stones, que até receberem de Lennon e McCartney uma certa música chamada “I Wanna Be Your Man”, encontrando a partir dali o sucesso e desenvolvendo sua sonoridade caractereística, podiam ser considerados como uma legítima banda de rithym n´ blues, tendo inclusive realizado uma sessão no estúdio da Chess Records, durante sua primeira visita aos Estados Unidos. Também foram artistas diretamente influenciados pelo som de Chicago, os Beatles, que gravaram diversos standarts do blues em sua carreira, e o Beach Boys, que pela semelhança com o som de Chuck Berry, foram inclusive processados pelo inventor da “Duckwalk”. Só pelo peso do pessoal citado, já é possível se ter uma noção da importância da gravadora no mundo da música. A Chess Records viveu seu auge durante os anos 50 e início dos anos 60, até ser vendida em 1969 para o selo GRT.
Especificamente sobre o filme, pode-se dizer que, da grande história que envolve a Chess Records, foi construído um roteiro muito consistente, a partir de uma bela figura de linguagem, que é a paixão por Cadillacs e que ao mesmo tempo contempla a caracterização dos ricos personagens a passagem do tempo e a importância da obra de cada artista para o cenário musical da época. O diretor Darnel Martin consegue condensar os temas mais relevantes que tangenciam a história, como o preconceito racial, o ciúme, os vícios, sempre de forma a acrescer ao produto final, sem no entanto, desviar do principal, que ao final é a trajetória musical gloriosa da gravadora. O elenco, que tem no mais jovem ganhador do Oscar de melhor ator Adrien Brody, em Beyonce Knowls, Jeffrey Wright e Cedric The Entertainer é competentíssimo, e consegue cumprir a difícil tarefa de levar para a ficcção personagens reais com louvor. É um daqueles filmes que valem cada segundo despendido para assisti-lo. É fundamental para quem se interessa pelo rock n´roll, tendo em vista que narra nada mais nada menos do que da gênese desse estilo musical que me é tão caro. Só posso dizer uma coisa: assista.