segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cadillac Records


Era sexta-feira, dia 3 de julho de 2009. Como todos os dias faço desde que tinha seis ou sete anos de idade, ao acordar, me dirigi à porta de casa e ajuntei a edição diária de Zero Hora. Primeiro, debulhei as páginas de esportes, que narravam pela perspectiva gremista -todos sabem que o citado jornal carrega o sentimento tricolor na sua linha editorial – a eliminação do clube da Azenha da Taça Libertadores, ocorrida na noite anterior. Em seguida, como sempre faço, parti para a leitura do Segundo Caderno, onde me deparei com uma reportagem sobre o lançamento, DVD, do filme Cadillac Recordas, que conta a saga da mítica gravadora Chess Records. De pronto, me interessei pelo assunto abordado na película, e tratei de obtê-la. À noite, assisti Cadillac Records, e passo a seguir a dividir as minhas impressões sobre o filme.
Como eu já disse, o Cadillac Records conta a história da gravadora Chess Records, fundada em meados dos anos 40 pelo executivo Leo Chess. A gravadora pode ser classificada como o grande catalisador do fenomenal blues de Chicago, tendo sido responsável pelo lançamento das carreiras de nomes como Muddy Waters, Howlin´ Wolff, Charles “Chucky” Berry, Etta James, Little Walter, Willie Dixon (todos personagens do filme), Bo Didley, Buddy Guy, entre outros. Pode-se afirmar sem dúvida, que nos estúdios da Chess, o blues, o rithym n´ blues e o rock n´roll tornaram os contornos que os tornaram estilos universais. O som de artistas como os citados acima foi influência direta para muitos artistas das gerações seguintes, principalmente os Rolling Stones, que até receberem de Lennon e McCartney uma certa música chamada “I Wanna Be Your Man”, encontrando a partir dali o sucesso e desenvolvendo sua sonoridade caractereística, podiam ser considerados como uma legítima banda de rithym n´ blues, tendo inclusive realizado uma sessão no estúdio da Chess Records, durante sua primeira visita aos Estados Unidos. Também foram artistas diretamente influenciados pelo som de Chicago, os Beatles, que gravaram diversos standarts do blues em sua carreira, e o Beach Boys, que pela semelhança com o som de Chuck Berry, foram inclusive processados pelo inventor da “Duckwalk”. Só pelo peso do pessoal citado, já é possível se ter uma noção da importância da gravadora no mundo da música. A Chess Records viveu seu auge durante os anos 50 e início dos anos 60, até ser vendida em 1969 para o selo GRT.
Especificamente sobre o filme, pode-se dizer que, da grande história que envolve a Chess Records, foi construído um roteiro muito consistente, a partir de uma bela figura de linguagem, que é a paixão por Cadillacs e que ao mesmo tempo contempla a caracterização dos ricos personagens a passagem do tempo e a importância da obra de cada artista para o cenário musical da época. O diretor Darnel Martin consegue condensar os temas mais relevantes que tangenciam a história, como o preconceito racial, o ciúme, os vícios, sempre de forma a acrescer ao produto final, sem no entanto, desviar do principal, que ao final é a trajetória musical gloriosa da gravadora. O elenco, que tem no mais jovem ganhador do Oscar de melhor ator Adrien Brody, em Beyonce Knowls, Jeffrey Wright e Cedric The Entertainer é competentíssimo, e consegue cumprir a difícil tarefa de levar para a ficcção personagens reais com louvor. É um daqueles filmes que valem cada segundo despendido para assisti-lo. É fundamental para quem se interessa pelo rock n´roll, tendo em vista que narra nada mais nada menos do que da gênese desse estilo musical que me é tão caro. Só posso dizer uma coisa: assista.

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