sábado, 3 de outubro de 2009

Ian Brown - My Way (ou abaixo o mais do mesmo)


Entre o final dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90, Ian Brown integrou o Stone Roses, banda fundamental para toda uma geração que veio a seguir e colocou mais uma vez o Reino Unido no epicentro do furacão musical do planeta. Foram dois álbuns apenas, “The Stone Roses”, de 1989 e “The Second Coming”, de 1994, mas que foram suficientes para esboçar os conceitos do britpop. Sem nenhum medo de errar, pode-se dizer que Oasis, Blur, Suede, Verve e toda a turma foram diretamente influenciados por Ian, John Squire, Mani e Reni, na sonoridade, na postura, no visual e na busca por refrões de levantar estádio Trocando em miúdos: Ian Brown ocupou uma posição de vanguarda durante aquele período citado. A partir da dissolução da banda, o sujeito iniciou uma bem-sucedida carreira solo que chega neste “My Way” ao sexto trabalho.
O grande mérito do sucessor do sensacional “The World Is Yours”, de 2007, está na inquietude demonstrada pelo artista inglês. Explico. Nos últimos tempos muito se falou em um possível retorno do Stone Roses. Isso implicaria naquilo a que todos nós estamos quando gigantes do passado voltam a se reunir: longas turnês caça-níqueis tocando as mesmas músicas de antigamente e um possível novo disco que provavelmente teriam pouco de pouco valor artístico. Valeria a pena apenas para apresentar o show em lugares ainda não explorados e levá-lo a pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de assistí-lo. Pois bem. Ian Brown mostra nesse novo álbum que não se alinha a esse corrente de pensamento que podemos chamar de picareta. Além de não estar aí apenas fazendo cover de si, o músico inglês demonstra a preocupação em não se repetir. E mais do que isso, outra vez seu som contém elementos que o colocam na vanguarda da música pop mundial. Declaradamente inspirado no finado Michael Jackson (que por uma dessas coincidências da vida, veio a deitar o cabelo de vez no dia em que as gravações de “My Way” se encerraram), Ian nos brinda com um disco cheio de músicas com roupagem pop, abusando de sintetizadores, teclados, metais, batidas dançantes e os tradicionais vocais arrastados (algo teria que ser tradicional). Gostei demais das faixas “Stellify”, de “Just Like You” (essa aí deverá rolar nessas festas de eletro-rock com certeza), da versão de “In The Year 2525”, que eu conheci na execução do Ten Years After e na faixa que encerra os trabalhos, “So High”. O disco é uma aula de utilização daquilo que a tecnologia pode oferecer para enriquecer boas canções. Ian Brown domina um estúdio como poucos.
Usando um argumento do artigo escrito pelo NME (tem um link para esse site no canto da página), escutando “My Way”, é possível compreender o porquê “daquela” reunião não acontecer. Completo, dizendo que caso a carreira de Ian Brown continue assim, é melhor que ela não ocorra mesmo. Aí ele estará livre para fazer o que mais sabe: olhar para frente.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Arctic Monkeys - Humbug


Com certo atraso, é verdade (ou eu tenho me atrasado muito ou o tempo está depressa demais), vou mandar minhas impressões acerca do último disco do Arctic Monkeys, Humbug, lançado mundialmente no dia 25 de agosto, mas que desde o final de julho já tem integrado o meu playlist, graças à Internet. A rede mundial de computadores, aliás, é parte importante da história dessa banda e um dos motivos pelos quais os Monkeys estão, na minha avaliação, na história da rock. Devo discorrer um pouco sobre isso, acredito que acaba sendo importante para que eu posicione o novo disco no atual cenário pop. Antes mesmo de avaliarmos se estamos diante de uma banda realmente legal ou se eles são mais uma porcaria que os gringos tentam nos empurrar goela abaixo, precisamos reconhecer que o lançamento do primeiro álbum, e os momentos imediatamente anteriores e posteriores a ele são um marco na transformação da indústria fonográfica .O feito se deu mais ou menos assim: lá pelos idos de 2005, ao mesmo tempo em que o AM lançava seus primeiros “compactos”, soltava na internet as mesmas músicas, e ia amealhando fãs que por conta dessa admiração faziam aquela mão para ajudar na divulgação, comentando em fóruns de discussão e afins e mantendo uma página não-oficial no MySpace. Dessa forma, o Arctic Monkeys se tornaram a banda do momento, sem ainda um contrato assinado ou um álbum cheio lançado. Veio então “Wathever People Thinkam, That´s Why I´m Not”, e uma cacetada de CD´s foi vendida logo de cara. Aí é que, sem uma linha de análise sobre o som em si, já dá pra dizer que a banda é um paradigma na transição da fase do domínio das gravadoras, da mídia física para algo que nós ainda não temos bem certeza o que é, mas que já podemos afirmar que a grande rede tem um papel central no modo de relacionamento entre artistas e fãs, no processo criativo e na definição de tendências. Daí que o Arctic Monkeys é uma banda importante.
Sobre o terceiro disco(?), este Humbug que agora comento, muita coisa já foi dita. Que está mais sombrio, que está mais maduro, que a produção de Josh Homme possivelmente seja o fator que traga para o som do Arctic Monkeys esses dois atributos,bla bla bla .... Tantas vezes isso já foi dito, por tanta gente, que isso já virou clichê, mas é verdadeiro. Nesse disco, o AM chega a uma sonoridade que parece tornar contornos que definirão a carreira da banda daqui por diante. Se o primeiro foi um petardo que reuniu diversas talentosas canções explosivas e adolescentes, o segundo cumpriu bem o seu papel de Segundo Disco, ou seja, segurou a banda no falatório sem grandes mudanças, o terceiro traz temáticas mais elaboradas, menos agressividade, mais cadência, bons riffs, maior detalhamento na composição das guitarras. Gostei. Especialmente da faixa que abre os trabalhos, My Propeler, que já vem mostrando muito bem o que eu estou tentando dizer. Criyng Lighthing tem um refrão inspiradíssimo. Ainda destaco a calma e introspectiva Secret Door, em que há até um violãozinho no fundo(!) e a última, The Jeweller´s Hands, uma música que pode ser chamada de madura.
Veja então, que eu falei no primeiro parágrafo, que trato de uma banda importante. No segundo, que se trata de um disco legal. Só posso dizer então para que você baixe ou compre o disco, mas trate de ouvir. Nesse cenário em que eles mesmo ajudaram a (des)construir, em que ainda se busca uma nova definição sobre como o circo todo vai se armar ou se até mesmo se haverá um novo jeito único de fazer as coisas, o Arctic Monkeys prova que no fim das contas, a música sempre acaba se impondo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Prosaico


Não para (agora sem acento) de chover aqui no Estado. Esse evento da natureza desencadeia todas aquelas tragédias que a imprensa não se cansa em reportar, e até por isso comentários meus seriam desnecessários. Quero falar de algo muito menos importante, e por favor não queira com isso entender que sou insensível, alienado ou mesquinho. A pauta de hoje é o prosaico guarda-chuva. Já faz tempo que eu fico deveras admirado com um fenômeno que os dias de chuva nos proporcionam. É certo que na maioria dos dias, pelo menos aqui onde eu vivo, o tempo, se não é de sol, pelo menos é nublado. Isso significa que na maioria do tempo, não chove. Logo, os dias em que São Pedro derrama água sobre nós, representam a exceção, a quebra da rotina e o desconforto. E humanamente buscamos algo que minimize esse desconforto. E quase todos nós buscamos esse "algo" no guarda-chuva. Tá, e aí, isso é óbvio, tu deves estar pensando. Mas é justamente essa obviedade que acaba por me fascinar. Há séculos o melhor remédio para amenizar os efeitos imediatos da chuva é um objeto rudimentar, que consiste na simples interposição de um meio físico acima da linha das nossas cabeças. Ululantemente evidente, simples, elementar, meu caro Watson. Enquanto para todos outros aborrecimentos da vida cotidiana alguém, um cientista ou um desocupado pensou em uma solução melhor, ainda não apareceu absolutamente nada que supere o guarda-chuva. Não me venha com a capa de chuva. Ensacar-me em um plástico não me parece mais eficaz ou confortável do que a solução que venho exaltando. Logo, esse é definitivamente um fenômeno incrível que o dia-a-dias nos revela. E me faz concluir que por mais que avancem as comunicações, os transportes, a ciência, e tudo mais, sempre haverá espaço para o que é simples e bem pensado.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O exemplo do basquete

Talvez seja surpreendente, mas meu esporte preferido é o basquete. Claro, depois do futebol. Mas a verdade é que o esporte da bola laranja me fascina quase tanto quanto a paixão nacional. Me lembro de ver o Corinthians de Santa Cruz do Sul campeão nacional em 1994, de fazer meu pai viajar até lá para ver o saudoso time tricolor atuar, de ver o Bira de Lajeado, também já lamentavelmente saudoso ganhar três títulos gaúchos na sequência, acompanhar o final da carreira de Michael Jordan na NBA, do frio na barriga antes de ver o Brasil levar uma sova dos Estados Unidos tanto no masculino quanto no feminino nas Olimpíadas de Atlanta, das decepções pelas seguidas ausências do time masculino nacional na maior competição de todas, enfim de um monte de coisas. Enfim, posso dizer que acompanhei de perto a evolução do esporte nos últimos anos e pude testemunhar como o basquete nacional perdia espaço, no cenário internacional para outras potências, como a Argentina, e dentro do próprio país para outros esportes, como o vôlei, o que é profundamente lamentável. Vôlei e Argentina, sinceramente...
Mas escrevo para registrar que podemos estar diante do ressurgimento da popularidade do basquete aqui no país. O time nacional vai ponteando a Copa América e com 6 vitórias está classificada com antecipação para o Mundial do ano que vem, na Turquia. Até aí, tudo normal, sempre estivemos nos Mundiais e a classificação era obrigação mesmo. Mas o destaque que tem sido alcançado não está exatamente na vaga, mas na maneira como ela foi obtida. Há anos que víamos o Brasil disputar competições com arremedos de time, sem um plano de jogo adequado, com diversos de seus melhores jogadores em litígio com a Confederação, vaidades pessoais acima do coletivo e apostando em conceitos pelo menos 20 anos atrasados. Continuávamos a jogar como se Oscar estivesse na quadra e a linha de três pontos fosse uma inovação na regra.
E chamávamos isso de "modo brasileiro de jogar basquete". Mas nas 6 vitórias em Porto Rico, tivemos um time forte na defesa, consciente no ataque, lutador e de personalidade. Muito da mudança é fruto da contratação do treinador espanhol Moncho Monsalve, alguém que colocou o dedo na ferida. Alguém que nos fez reconhecer que o "modo brasileiro" é coisa do passado e que não cabe mais no atual cenário do basquete. Que nos fez voltar ao básico e rever pontos que um dia foram motivo de orgulho nacional, para aproveitarmos todo nosso potencial. O que é irônico é que, com uma geração de talento que tem destaques da NBA (Leandrinho, Anderson Varejão e o lesionado Nenê), na Europa (o incrível Marcelo Huertas, o melhor armador que eu já vi com a amarelinha e Tiago Splitter), há anos o Brasil era tratado como a "potência do futuro" na modalidade e ainda assim, por seus erros, pela sua própria falta de capacidade de organização, ficou anos estagnado, amargando um fiasco depois do outro. Qualquer semelhança com outras realidade tupiniquins não são mer coincidência.
Pois bem, como fã do basquete do Brasil espero que a seleção siga evoluindo, que hoje vença o Uruguai e conquiste o título no domingo. Para que essa evolução possa ser amplamente divulgada, comentada e todos nós possamos aprender com ela. E possamos nos livrar do vôlei e da Argentina...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Deu no Times, mas eu já sabia...


Estudo revela que os Beatles podem ter estreitado vão entre gerações


Talvez seja a doce mistura de apreensão e promessa em "When I'm 64", a ode ao envelhecimento que Paul McCartney escreveu quando ainda era adolescente. Ou o gentil otimismo de "Here Comes the Sun".
Seja a inspiração lírica ou não (não esqueça de "All You Need Is Love", "All Together Now" e "Your Mother Should Know"), um novo estudo afirma que os Beatles podem ter ajudado a diminuir as diferenças entre gerações atuais nos Estados Unidos.
Eles não acabaram com elas de vez, é claro. Os mais jovens e mais velhos ainda discordam.
Mas os antagonismos furiosos que definiram a divisão entre gerações nos anos 1960 acabaram, de acordo com um estudo do Centro de Pesquisas Pew que será divulgado nesta quarta-feira para coincidir com o 40º aniversário de Woodstock (o festival de música que mais da metade dos americanos entre 16 e 29 anos não soube identificar).
"Agora há um grande entendimento entre as gerações sobre um quesito da cultura americana que foi o mais intenso campo de batalha dos anos 1960: a música", concluiu a pesquisa.
Todas as faixas etárias entre 16 e 64 anos ouvem rock'n'roll mais do que qualquer outro formato de música (pessoas de 65 para cima preferem música country). Os Beatles estão entre as quatro bandas favoritas de todos os grupos etários.
Notavelmente, o centro Pew descobriu que o número de americanos que veem grandes diferenças nos pontos de vista de jovens e adultos está ligeiramente maior do que há 40 anos.
Mas Paul Taylor, diretor do centro Pew, disse: "As gerações em 2009 encontram uma maneira de discordar sem necessidade de confrontos desagradáveis. Elas não lutam entre si".
Enquanto 19% dos adultos recordam que quando adolescentes eles tiveram grandes discordâncias com seus pais, apenas 10% dizem ter brigas parecidas com seus próprios filhos adolescentes.
A pesquisa descobriu que 26% dos americanos disseram haver grandes conflitos entre os mais velhos e mais jovens - um número muito menor do que os 39% que disseram que estes conflitos existem entre brancos e negros, 47% entre ricos e pobres e 55% entre imigrantes e nativos.
Americanos de todas as idades dizem que adultos mais velhos têm valores morais e uma ética de trabalho melhores, mas que os jovens são mais tolerantes com outras raças. (Os negros são muito mais propensos a ver diferenças entre gerações em relação a valores morais, opiniões políticas e respeito pelos outros.)
"Pode ser que um dos motivos pelos quais pais e jovens não discordam com tanta frequência como costumavam fazer há uma geração seja que, quando a coisa esquenta, eles sempre podem esfriar juntos ao som dos Beatles?", questiona a pesquisa. "Como nós pesquisadores gostamos de dizer: precisamos de mais estudos para comprovar este fato".


fonte: Último Segundo http://www.ultimosegundo.ig.com.br/



Nota: Mais esse argumento para colocar nas discussões de boteco sobre qual é a maior banda que já existiu. Da próxima vez que discutir com alguém mais velho (ou mais novo) do que eu, vou
colocar o Let it be (disco deles que eu mais tenho escutado ultimamente) para tentar responder essa indagação do fim da matéria. Sou capaz de apostar que a resposta vai ser positiva. Duvido alguém não se entender depois de escutar "I´ve got a feeling".

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pequeno comentário sobre Fernandão

O mundo futebolístico está agitado com o destino profissional do sujeito da foto
O fato é que Fernandão é um jogador de características muito especiais, difícil de encaixar em um esquema tático, ou seja requer um time montado em torno dele e que depende demais da plenitude de sua forma para render aquilo que um dia rendeu. Nós sabemos que agora, no meio da temporada, não há como montar um esquema em torno de Fernadão, se observarmos as características do time e dos jogadores do Inter. E que ele não tem mais a mesma capacidade atlética de anos passados, situação agravada pela inatividade e pela temporada em um futebol semi-amador. Logo, sua vinda agora traria mais problemas do que soluções ao Internacional e esse não é o momento para termos mais problemas. Temos que lembrar que a questão profissionalismo permeou sua saída e um possível retorno também deveria ser tratado sob esse enfoque.
Ademais, uma vinda dele em um momento inapropriado, significaria sua exposição a críticas e contestações que não combinariam com a imagem vencedora e icônica de Fernandão junto aos colorados. De tal sorte que sua não contratação não deve ser lamentada.
Desejo sorte ao nosso capitão em seu novo contrato, e gostaria muito que ele parasse de falar sobre o assunto Internacional no momento, porque quando mais ele tenta se explicar, mais desconforto gera junto ao torcedor que o idolatra. Me sinto profundamente magoado quando leio a declaração de que o camisa 9 de tantos títulos queria ser tratado com mais respeito pelo Inter. Ele, mais do que ninguém deveria saber que o Inter é mais do que um ou outro dirigente que na visão do jogador o tenha desrespeitado. O Inter é o resultado da paixão de milhares de pessoas, autor de uma história centenária que tem nele Fernandão um de seus principais atores. Em nome disso que eu gostaria que ele tocasse sua vida adiante, sem ressentimentos. O Inter nunca desrespeitará seus ídolos, enquanto dignos dessa condição.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mexe no tapete!

A casa precisava de uma mudança ou eu precisaria me mudar. Era só o que eu sabia. Estava cansado de ocupar os mesmos espaços do mesmo jeito, a situação já era desconfortável para mim. Não me sentia "em casa" na minha própria casa. Com o perdão da redundância, se eu não me sentisse em casa na minha própria casa, onde mais me sentiria? As questões então passaram a ser outras: mudar como e o quê? Mudar para um apartamento maior? Não dá, a fase de transição que atravesso não permitiria nem viver no atual local sem ajuda dos meus pais. Novos móveis? A resposta anterior é aplicável, no que cabe, também a esta pergunta. Então, no canto em que me escondo hoje, o que poderia ser alterado? O espaço é limitado, as peças são poucas e a impressão que sempre tive olhando para a disposição dos meus pertences é de que se algo sair de onde está, um caos total se instalaria. Difícil situação.
Foi aí que, por um instante tive que me abaixar para retirar alguma coisa de um compartimento do móvel da sala. Com a maior parte do meu corpo próxima ao chão, senti o frio que vinha das lages e imaginei que talvez a mudança, pequena, pudesse começar por ali. Precisava abafar aquela sensação "polonórtica" que era oriunda dali. E em um segundo de reflexão, talvez o único que eu tenha dispensado à ela sobre o assunto durante todo esse tempo de desconforto, apareceu a ideia de colocar um tapete na sala. No segundo seguinte, me lembrei que havia um no quarto, que ninguém, absoltumente ninguém que passa por ali dá a menor importância, a não ser quando precisa varrer o local e o tapete está ali a atrapalhar. De pronto, o que fiz foi pegar o até então maldito tapete e trocar sua posição. Algo simplório, singelo, até óbvio demais. Mas que transformou a sala, onde passo a maior parte do tempo quando estou em casa, em um local mais aconchegante, não tão frio, no sentido real e no sentido figurado, além de tornar mais fácil a tarefa de limpar o quarto.
Às vezes, tudo o que é necessário é mexer no tapete...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Diversas coisas, num estilo mais conciso


Tenho mil assuntos na cabeça, diversos textos em potencial, e um misto de vontade de escrever com preguiça para desenvolver as ideias. Então, no estilo twitter (tá, nem tão curto assim), aí vai:


1)Com um certo atraso, sobre a manifestação do CPERS em frente à casa da governadora: As ações da direção do sindicato tem maculado algumas das justas reinvindicações da classe. Não é agindo assim que vocês irão iluminar o caminho da gurizada.


2)Futebol: Tite vai acabar morrendo abraçado com a ideia do losango e a manutenção de alguns jogadores que se arrastam em campo. O meio-campo colorado é mal concebido, a defesa fica desprotegida e o ataque isolado. Indio e Magrão estão comprometendo a equipe e permanecem.


3) Ontem assisti a um filme que me surpreendeu, e sobre o qual estou até agora refletindo. American Teen, documentário do diretor Nannette Burstein. A premissa do filme é o acompanhamento do dia-a-dia de 5 estudantes em seu último ano de high school em uma pequena cidade do interior de Indiana, EEUU. Para isso, o diretor captou mais de 1000 horas de imagens durante dez meses de convívio na comunidade. Sensacional como Burstein foi buscar o substrato humano de cada um dos participantes do filme em um momento dos mais complicados da vida de cada um até ali, a transição para a vida adulta.

Se existe uma crítica negativa a ser feita é a de que em alguns momentos parece que a coisa toda é roteirizada. Todavia essa impressão está longe de comprometer a importância e a beleza do filme. Recomendo.
LEGENDA: Na foto, uma referência ao clássico "Clube dos Cinco".


4) Também com certo atraso, esse, um considerável atraso de dez anos, estou curtindo o segundo disco da banda escocesa Travis, The Man Who. Melodias inspiradíssimas, levadas a partir do violão (em 1999 era possível fazer isso sem que te rotulassem de folk e te comparassem com o Bob Dylan, como fazem hoje com qualquer um que use um violão de aço), com uma banda competentíssima na escolha dos timbres e no desenvolvimento da sonoridas. O Travis é tudo aquilo que eu um dia imaginei que o Coldplay se tornaria. Apesar de que no comparativo entre as duas bandas, a do Chris Martin tem a seu favor Clocks e In My Place...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cadillac Records


Era sexta-feira, dia 3 de julho de 2009. Como todos os dias faço desde que tinha seis ou sete anos de idade, ao acordar, me dirigi à porta de casa e ajuntei a edição diária de Zero Hora. Primeiro, debulhei as páginas de esportes, que narravam pela perspectiva gremista -todos sabem que o citado jornal carrega o sentimento tricolor na sua linha editorial – a eliminação do clube da Azenha da Taça Libertadores, ocorrida na noite anterior. Em seguida, como sempre faço, parti para a leitura do Segundo Caderno, onde me deparei com uma reportagem sobre o lançamento, DVD, do filme Cadillac Recordas, que conta a saga da mítica gravadora Chess Records. De pronto, me interessei pelo assunto abordado na película, e tratei de obtê-la. À noite, assisti Cadillac Records, e passo a seguir a dividir as minhas impressões sobre o filme.
Como eu já disse, o Cadillac Records conta a história da gravadora Chess Records, fundada em meados dos anos 40 pelo executivo Leo Chess. A gravadora pode ser classificada como o grande catalisador do fenomenal blues de Chicago, tendo sido responsável pelo lançamento das carreiras de nomes como Muddy Waters, Howlin´ Wolff, Charles “Chucky” Berry, Etta James, Little Walter, Willie Dixon (todos personagens do filme), Bo Didley, Buddy Guy, entre outros. Pode-se afirmar sem dúvida, que nos estúdios da Chess, o blues, o rithym n´ blues e o rock n´roll tornaram os contornos que os tornaram estilos universais. O som de artistas como os citados acima foi influência direta para muitos artistas das gerações seguintes, principalmente os Rolling Stones, que até receberem de Lennon e McCartney uma certa música chamada “I Wanna Be Your Man”, encontrando a partir dali o sucesso e desenvolvendo sua sonoridade caractereística, podiam ser considerados como uma legítima banda de rithym n´ blues, tendo inclusive realizado uma sessão no estúdio da Chess Records, durante sua primeira visita aos Estados Unidos. Também foram artistas diretamente influenciados pelo som de Chicago, os Beatles, que gravaram diversos standarts do blues em sua carreira, e o Beach Boys, que pela semelhança com o som de Chuck Berry, foram inclusive processados pelo inventor da “Duckwalk”. Só pelo peso do pessoal citado, já é possível se ter uma noção da importância da gravadora no mundo da música. A Chess Records viveu seu auge durante os anos 50 e início dos anos 60, até ser vendida em 1969 para o selo GRT.
Especificamente sobre o filme, pode-se dizer que, da grande história que envolve a Chess Records, foi construído um roteiro muito consistente, a partir de uma bela figura de linguagem, que é a paixão por Cadillacs e que ao mesmo tempo contempla a caracterização dos ricos personagens a passagem do tempo e a importância da obra de cada artista para o cenário musical da época. O diretor Darnel Martin consegue condensar os temas mais relevantes que tangenciam a história, como o preconceito racial, o ciúme, os vícios, sempre de forma a acrescer ao produto final, sem no entanto, desviar do principal, que ao final é a trajetória musical gloriosa da gravadora. O elenco, que tem no mais jovem ganhador do Oscar de melhor ator Adrien Brody, em Beyonce Knowls, Jeffrey Wright e Cedric The Entertainer é competentíssimo, e consegue cumprir a difícil tarefa de levar para a ficcção personagens reais com louvor. É um daqueles filmes que valem cada segundo despendido para assisti-lo. É fundamental para quem se interessa pelo rock n´roll, tendo em vista que narra nada mais nada menos do que da gênese desse estilo musical que me é tão caro. Só posso dizer uma coisa: assista.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Rotina

Quem nunca disse, pensou ou ouviu frases do tipo: "tenho uma vida corrida, não posso fazer o que queria", "esses compromissos me afastam de quem eu gosto", "não tenho tempo para nada". Acredito que poucas são as pessoas que não creditam na conta da sua rotina uma parcela de frustração que eventualmente carregam. Confesso que eu também fazia parte dessa maioria até pouco tempo. Também justifiquei ausências, falhas e oportunidades perdidas pelo fato de ter vários compromissos, todos com hora marcada.
Até que um belo dia desses me deparei com algo inusitado. Depois de praticamente 20 anos tendo lugares determinados para ir diariamente, sempre na mesma bat-hora, no mesmo bat-canal, de repente, não tinha mais isso. A primeira ideia que surge em uma situação dessas é: "bah, que legal, você é um sujeito livre". Ledo engano. Foi exatamente aí, quando me "julgava livre sem sê-lo", que me vi mais escravo, pela falta de uma perspectiva concreta no meu horizonte. Foi então que eu descobri o que a rotina realmente significa: segurança. Quando você tem lugares para ir, coisas a fazer, métodos a seguir, pessoas com que se relacionar, você faz tudo com a confiança de quem de fato sabe o que está fazendo e que sabe para onde vai. Além disso, ter uma rotina, ao contrário do que se pensa, não afasta as pessoas. É pela convergência de suas rotinas que elas se aproximam. Acha absurdo? Então pense como conheceu seus amigos ou como se apegou aos lugares que vai.
Com relação ao que disse no início, as frustrações que deveras carregamos não são culpa da rotina. São sim, frutos da acomodação, da falta de imaginação, da preguiça, do mesmismo que nós mesmos atribuimos a ela. Portanto, se ligam principalmente a fatores de ordem subjetiva, não a eventos externos com os quais nos envolvemos. Trocando em miúdos, o jeito que você leva a vida é que pode tornar sua rotina chata, e não contrário.
E é por isso, por querer andar sempre para a frente, tranquilo, seguro, porém inquieto, inventivo que afirmo querer de novo, uma rotina para mim!
P.S.: Escrevo enquanto escuto o novo disco do Iggy Pop, em que ele inclui jazz, bossa nova e músicas em francês. Nada mais oportuno. Tio James segue na rotina de grandes discos, sem se acomodar nos três acordes. Ouça "King of the Dog", "How Insensative" (sim, versão de Tom) e a minha favorita Je Sais Que Tu Sais, e comprove isso...

sábado, 20 de junho de 2009

Qualquer um pode ser jornalista?

Segundo decidiu o Supremo Tribunal Federal nessa semana, a resposta é sim. Ao julgar o Recurso Extraordinário nº 511961, a corte constitucional brasileira decidiu que o Decreto-Lei 972, resquício do período da ditadura militar, não foi recepcionado pela atual Constituição e portanto não faz parte da ordem jurídica nacional. O efeito mais importante da decisão é a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo e registro profissional para o exercício da profissão de jornalista. Não tive acesso ao inteiro teor da decisão, portanto, para emitir uma opinião, me baseio em dados da assessoria de imprensa do próprio STF (acredito que composta por jornalistas diplomados).

Pois bem. Fudamentando a decisão, o STF invocou a norma insculpida no artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos , que garante o direito à livre manifestação e pensamento, bem como entendeu que as disposições do Decreto-Lei 972 ferem a liberdade de imprensa. Concordemos ou não, o fato é que nós, submetidos que estamos ao ordenamento jurídico brasileiro, que possui na Constituição Federal sua expressão maior e esta por seu turno tem no Supremo seu guardião, temos que nos submeter à decisão (obedecer a Constituição é a Lei Fundamental a que Hans Kelsen se referia para fundamentar sua Teoria Pura do Direito).

O fato é que grande parte da classe dos jornalistas se sentiu desprestigiada, entendendo que o fato de o diploma universitário não ser obrigatório para o exercício da profissão representa um aviltamento da carreira que escolheram e um perigo ao nível do jornalismo praticado no país, com o que eu até concordo, embora acredite que a maior preocupação que alimenta manifestações nesse sentido seja de ordem econômica, tendo em vista que com a decisão, possivelmente a média salarial oferecida aos jornalistas reduzirá (não vejo nenhum problema nessa preocupação, todavia penso que os jornalistas que não se conformaram com o conteúdo da decisão do STF deveriam verbalizar que se preocupam com a concorrência menos qualificada que irá implicar em salários menores, e poucos o fazem). O que eu estranho no comportamento dessa parcela da classe jornalística nesse momento é o fato de que todos eles se declaram, sempre, defensores da liberdade de expressão. Porém se voltam contra a decisão da Corte Constitucional, que justamente é motivada, principalmente, por esse argumento. Também me causa estranheza ver que os jornalistas se voltam contra uma decisão que afasta do ordenamento jurídico um dispositivo legal que tinha como objeto a regulamentação da profissão. Logo a classe que historicamente se pronuncia contra a existência de um órgão controlador e que sempre repudiou a Lei de Imprensa, recentemente revogada por decisão do mesmo STF. Tudo isso me parece bastante contraditório.

Existe, no entanto, um aspecto da irresignação dos jornalistas que me parece procedente. É aquele que decorre da seguinte pergunta, que inclusive foi objeto de deliberação por parte do Supremo no feito que estou comentando: existe no jornalismo uma verdade científica que deve gorvernar a profissão? Acredito que essa pergunta é a essência de toda a discussão. Uma resposta positiva justificaria a exigência de um diploma de nível superior (aqui entendido como a representação de uma formação científica, capaz de habilitar seu titular ao exercício satisfatório da profissão, não como um pedaço de papel que se compra de uma faculdade). Todavia, o Supremo entendeu que não existem essas “verdades indispensáveis” no jornalismo, logo não existe a necessidade de uma formação acadêmica para exercício da profissão. Nesse ponto, discordo da decisão. Acredito que há no processo de apuração e transmissão das informações, a necessidade de emprego de métodos científicos que transcendem ao compromisso com a verdade que todos nós devemos seguir. Logo, enxergo, no desprestígio à formação, uma ameaça ao bom jornalismo.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Não podemos ser reféns dos gurus!!!

Dias atrás, recebi a visita de meus pais em minha casa. O motivo não era apenas um encontro entre a família, mas também uma consulta médica de meu pai com o Dr. Fernando Lucchese. Ao saber que isso aconteceria, minha reação foi de desprezo e de ceticismo em relação aos benefícios que a visita ao referido médico poderia trazer ao meu velho.
Tal reação de minha parte se deveu ao fato de que costumo usar o nome do Dr. Lucchese para efetuar críticas, em primeira instância à Feira do Livro da Capital e de maneira mediata, ao modo com que nós nos relacionamos com a literatura e a cultura de modo geral. Para compreender a análise que costumo fazer, é preciso que eu volte no tempo um pouco e conte que, quando criança e vivia no interior, tinha a ideia de que a Feira do Livro era um mundo mágico que as pessoas frequentavam visando aumentar sua cultura e ampliar os horizontes do seu pensamento, através do incentivo à leitura. Quando me mudei para Porto Alegre e passei a ter acesso à Feira, me deparei com uma realidade diferente, bem menos romântica. Na verdade a Feira do Livro não é mais do que um circo montado para incentivar o consumo de livros. Acabei escolhendo o Dr. Lucchese como um ícone, um símbolo desse meu desencantamento, tendo em vista que, entra ano, sai ano, pertence a ele o topo da lista dos mais vendidos. Pode você achar bobagem ou mesquinharia o que estou dizendo, mas na verdade o que eu disse acima é apenas a ponta do iceberg. Os fatos de a Feira do Livro ter se tornado um evento apenas voltado para o consumo e de autores como o Dr. Lucchese terem se tornado campeões de venda, revelam que é cada vez maior a procura por ideias pré-concebidas, por gurus, oráculos, respostas prontas, quais sejam as perguntas. E o pior é que isso não se dá apenas no âmbito da literatura, mas também em outras instâncias da vida em sociedade. Pedro Bial, Paulo Coelho, Içami Tiba, Paulo Autuori, Roberto Shinyashiki, Dan Brown, Roberto Carlos (o cantor, que um dia foi digno de ser o “Rei”), U2, são exemplos do que estou dizendo, mas a lista é muito maior. O fato é que a grande maioria de nós, em clara demonstração de comodismo, resignação e fraqueza de raciocínio, recorre aos conceitos enlatados que vem de pessoas como essas e os aplica, em uma subsunção rígida que não se importa em questioná-los, e nem às circunstâncias de fato. Ou seja, deixamos de lado o espírito crítico, a ponderação e por isso, nos tornamos reféns dos gurus!
O engraçado, é que acabei incorrendo nesse mesmo comportamento, ao não demonstrar confiança nas capacidades profissionais do Dr. Lucchese. Esqueci de ponderar a sua trajetória como médico, seu sucesso profissional que vem de tantos anos, as necessidades do meu pai. E acabei emitindo um (pré)conceito baseado apenas no fato de seus livros serem, como são, horríveis e prestarem um serviço à desinteligência dos leitores. E como fatalmente ocorre quando se adota esse modo de pensar, acabei criando uma falsa imagem da realidade. Nesse caso, felizmente eu estava enganado. Ao visitá-lo durante o último final de semana, já notei meu pai muito mais disposto a aproveitar aquilo que a vida pode lhe oferecer. E quanta alegria isso me trouxe.
Ao menos minha tese ganhou mais força...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

NA FINAL!


I - O Inter, a Copa e a minha formação como colorado

O mundo era outro em 1992. Ainda me lembro como se fosse hoje. Naquele 10 de dezembro, ouvia a narração de Armindo Antônio Ranzolin (eu acho), no antigo três em um que tínhamos na sala. Tenho presente a descrição de um Beira-Rio, (que conheceria menos de uma semana depois, em um jogo da seleção brasileira diante da Alemanha) tomado de pessoas vestidas de vermelho, da pressão que o Inter impunha ao Fluminense buscando reverter o resultado da partida de ida, vencida pelo time carioca por 2x1, da angústia pela passagem em branco de 85 dos 90 minutos daquela partida. Até que Pinga cai na área adversária e o árbitro aponta para a marca fatal. Nesse momento disparo em direção ao pátio de casa, ingenuamente tentando fugir do nervosismo e do barulho decorrente da definição do lance. Em vão. Pouco depois, os gritos da vizinhança e os foguetes anunciavam que Célio Silva havia marcado, chutando de bico. O Inter ganhava a Copa do Brasil. Posso dizer que aquele torneio foi um marco inicial da minha paixão pelo clube colorado, pois foi durante a Copa que passei a acompanhar diariamente as coisas do Internacional. Por isso o time dos já citados beques, de Gérson, Marquinhos e de Gato Fernandez, das inesquecíveis defesas na disputa de pênaltis diante do nosso maior rival, tem lugar cativo na minha memória afetiva, bem como a Copa do Brasil, competição que tem, após 17 anos, novamente o Inter na decisão.

II- A passagem para a final

Chegar até o embate final acabou se tornando mais difícil do que se esperava, e do que em tese seria necessário, diante da diferença de nível entre as equipes do Inter e do Coritiba. Começou com um gol adversário dentro do Gigante, o que sempre é problemático. Mas ali o time colorado demonstrou superioridade, não se abateu, nem se intimidou com a deslealdade do adversário, igualou o marcador, virou e abriu vantagem. Senhor das ações, foi ao Paraná, diante de um Coritiba que mobilizou céus e terra para tentar a reversão. Diante de um quadro de pressão por parte do adversário, o Inter fez um mau primeiro tempo, porém apenas concedendo uma oportunidade de gol ao Coxa, brilhantemente salva por Lauro. No início da segunda etapa, os paranaenses voltaram à carga, com uma incidência perigosa, mas não clara, logo no primeiro minuto. Passado o sufoco inicial, o Inter equilibrou as ações, criou chances para definir o confronto, não as transformou em gol. Perdeu Taison, revelando um erro de formação de banco por parte do treinador Tite, que não relacionou Talles Cunha, atacante de velocidade e ficou sem jogadores dessa característia, essenciais para quem aposta nos contra-ataques. Assim, deu margem para que o Coritiba tentasse o tudo ou nada, e acabou sofrendo um gol. O nervosismo se instaurou nos corações colorados, mas logo passou, com o término do jogo. Ao final, sobraram : a vaga para a decisão, que aliás era obrigação nossa diante de um adversário de menor hierarquia, por ter menor currículo, menor torcida, menor investimento, elenco inferior e um treinador que sai da disputa e entra para o anedotário do futebol (todos nós ficamos menos inteligentes ouvindo as bobagens que disse Renê Simões, um técnico autoajuda); a certeza de que o time precisa de ajustes, especialmente quando ataca, uma vez que nossos jogadores atuam muito distantes uns dos outros, restando prejudicado o toque de bola que caracterizou o Inter até aqui e as individualidades de maior destaque, notadamente D´Alessandro e Taison; a esperança de repetir 1992, ganhar um título nacional e coroar o grande ano do clube até agora. Oportunamente, falarei sobre a grande decisão diante do Corinthians. Será que a estrela roubada voltará para casa? Cenas do próximo capítulo de uma paixão que cresce a cada dia!

terça-feira, 2 de junho de 2009

A Copa por aqui



Domingo de festa na cidade. O Mundial de Futebol estará de volta depois de 64 anos. Outra vez, o Internacional cederá suas instalações esportivas para que o maior espetáculo da terra, o que é um orgulho e uma distinção que cabe a poucos clubes no mundo, se couber a algum outro. Muitos enxergam que a Copa será uma grande oportunidade para que muitas pessoas enriqueçam às custas do contribuinte brasileiro. Permito-me lançar um olhar mais otimista, especialmente quando se trata da repercussão do evento em Porto Alegre e no RS.
O primeiro aspecto a ser destacado, é o mais óbvio deles. Para receber todo o movimento da Copa, são necessárias diversas melhorias estruturais na cidade. Problemas crônicos deverão ser resolvidos, ou ao menos amenizados, como a mobilidade urbana (será que finalmente sai o metrô? É agora ou nunca!) e o saneamento básico. Também investimentos de ordem privada deverão ser realizados, e possivelmente, ao fim e ao cabo, teremos também uma cidade mais bonita e que valoriza belas áreas que hoje são negligenciadas, como por exemplo o Cais do Porto e o Centro.
Mas acredito que a grande oportunidade traz para os gaúchos, está na relação destes com o poder público. Primeiramente, acredito que, como existe um caderno de encargos, que indiretamente corresponde a um plano de governo, haverá, ou melhor já há, a necessidade de uma reinvenção do discurso, do debate e da atuação políticas. O governo tem à sua feição, metas a cumprir, e disporá de recursos para adimpli-las. Caberá à oposição, por seu turno, fiscalizar o andamento das obras e a correta aplicação dos recursos, bem como não se opor à aprovação dos projetos de lei necessários, quando esses primam pelo interesse público. Será fundamental, também, a participação popular, acompanhando atentamente a sucessão dos fatos e exigindo resultados. Em tudo isso, não há absolutamente nada de novo, pelo contrário. Trata-se tão somente do ideal de democracia, do qual o povo gaúcho poderá se aproximar durante os próximos anos, mas que tem sido desprezado por nós sistematicamente. Vivemos sob a égide de um governo que não articula politicamente, de uma oposição reacionária e somos um povo ausente. Quem sabe a Copa não seja um incentivo para mudarmos de postura?
No mais, acredito numa bela Copa por aqui. Porto Alegre tem sido sede, nos últimos anos de grandes eventos esportivos, que embora não tenham a dimensão de um Mundial, são de enorme apelo popular. Tivemos aqui, de 2005 até hoje, dois jogos da seleção, três finais de Libertadores, uma final de Sul-Americana, diversos clássicos. E todos eles comprovaram a vocação da cidade para receber esse tipo de evento. Além disso, nosso Estado se identifica com os países vizinhos e com nações importantes da Europa, o que me leva a crer que estaremos prontos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sobre a dor e como vencê-la.

Existe algo, além da morte, que passamos a vida toda querendo evitar. Mesmo cientes de que a nossa existência é marcada pelo equilíbrio entre momentos bons e ruins, fazemos de tudo para evitar a dor. Desde muito jovem, me vi obrigado a conviver com ela, a ter que enfrentá-la. Desses eventos, aprendi a me comportar de dois modos, que podem até soar contraditórios. O primeiro modo, me leva a ser um cara que pensa muito antes de qualquer ação. Sem qualquer dado estatístico, acredito que eu, muito mais do que a média da população mundial, reflito demais antes de adotar uma posição, fazer algo ou exteriorizar o que eu sinto, justamente por temer a dor. O outro modo, e aí você vai entender porque eu disse que pode parecer contraditório, é o que acontece quando eu sinto dor. Também sem nenhuma fonte formal da informação, acredito que sou uma pessoa que sabe como poucas lidar com a dor, quando a sinto (como pode alguém que tanto foge da dor conviver bem com ela? Nem eu sei, mas esse não é o assunto, ao menos agora). Muito antes de saber que alguém tinha escrito, já tinha bem presente entre as minhas ideias e sensações aquela frase de Nietzsche (de quem não sou fã, pela sua má filosofia, demasiadamente desumana, mas também a crítica a ele não é o principal assunto do momento), que diz mais ou menos o seguinte “aquilo que não me mata, só me fortalece”. Acredito que, quando sentimos dor, e esses momentos são inevitáveis, é fundamental que possamos vivê-la e suportá-la. Se conseguirmos isso, mesmo que ela custe muito do que temos e somos, e espalhe efeitos para toda nossa existência, estaremos mais fortes na hora em que a dor passar ou ao menos não for tão intensa por estar mais distante do centro de nossas ações, e estiver apenas guardada em um canto, suplantada por momentos bons que a ela se sobrepõem.
Talvez essa capacidade que eu tenha venha de mim, do que passei. Mas acredito que na realidade, recebi de pessoas com quem eu orgulhosamente convivo, que me mostraram que isso não é uma mera filosofia de botequim ou trecho de livro de autoajuda, a quem gostaria de dedicar essas breves linhas. Me vem à mente agora, em especial, as trajetórias de vida do meu comprade Júlio e da minha prima Carolina. Se eu pensar mais um pouco, de outras histórias me lembrarei, e se for o caso, as registrarei aqui também. Gostaria muito que esse texto também inspirasse meu pai, cujo momento me levou a pensar sobre o assunto.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

SOMOS O INTER



Primeiro ato – A torcida


As associações são formadas pela união de pessoas que se unem para uma finalidade não-econômica. Por que estou recorrendo a um conceito jurídico para falar de futebol? Porque ele se encaixa perfeitamente para definir o que é o Internacional. O Internacional não é apenas um time de futebol que tem torcedores. E é diferente de outras torcidas que dizem “ter” um time. A relação entre os colorados e seus 11 em campo não é de “propriedade”. É de cumplicidade. Time e torcida são uma coisa só. Instâncias obviamente diferentes, de uma coisa só. Aqueles que vestem a camisa são a instituição que se faz presente nas disputas esportivas. Isso porque a “finalidade não-econômica” que une os colorados é a paixão pelo esporte, pelas vitórias, mas acima de tudo e mais do que isso, pelo ambiente que se criou a partir disso e da relação que se desenvolve entre os colorados e o resultado de sua união, o clube.


Segundo ato – Os profissionais
Ao ver Fernandão e Rafael Sóbis entraram em campo e serem saudados como se fossem atuar, mesmo que já não façam parte do elenco colorado, constatatei algo que confirma que, de fato, a nossa associação é diferente das demais. Em plena era do futebol-negócio, em que prevalecem interesses financeiros dos profissionais que gravitam no entorno dos clubes ,portanto relegando a paixão clubística a um plano secundário, o Internacional ainda é capaz de produzir ídolos, cuja relação com o clube transcende ao profissionalismo das disposições contratuais. Se excluirmos Rogério Ceni e o São Paulo, Marcos e o Palmeiras, talvez apenas o Colorado possa se orgulhar de uma relação como essa com seus atletas e ex-atletas.
É óbvio que o cumprimento, pelo clube, de todos os deveres a que se compromete ao contratar atletas, a disputa por títulos e a tradição de boas negociações é parte importante para que seja boa a relação entre ele e seus profissionais. Mas somente isso não levaria um ex- atleta a viajar 14 horas, passar a noite de sono em pleno voo, para então chegar a tempo de acompanhar uma partida, vestindo “o manto”. É preciso algo mais. Esse tipo de demonstração de carinho só é possível quando o profissional se sente parte de algo maior, do sentimento que se materializa e toma forma nos contornos da instituição. E o Internacional propicia isso a seus profissionais. Fernandão é a expressão maior do que estou dizendo.


Terceiro ato – A vitória sobre o Flamengo e a sequência na competição
E foi a cumplicidade que levou a torcida a cantar mais forte no momento em que o resultado era adverso e o Inter estava sendo eliminado por um Flamengo que possui uma meia cancha técnica como tradicionalmente tem, e que marca forte como não costuma, historicamente, fazer. Mas que possui uma capacidade de finalização das jogadas, tanto no momento de concluir quanto no de infiltrar, que acaba comprometendo sua produção.
Foi a relação que transcende o profissionalismo que levou o jogadores colorados a buscarem a vitória até – literalmente – o último minuto. Sim, os atletas têm o dever de sempre entrar em campo para vencer, e as vitórias são benéficas para suas carreiras e seus contratos. Mas a disposição de Guñazú, Andrezinho, e de todo o time na grande partida de ontem são provas cabais de que esses caras também são parte da nossa associação.
Seguimos adiante na Copa do Brasil. Agora, temos pela frente o Coritiba, um clube de certa tradição no cenário brasileiro, campeão do Brasileirão no ano em que nasci, 1985, e que conta com bons jogadores como “os Paraíbas”, Marcelinho e Carlinhos e o argentino Ariel, um centroavante clássico. Além do adversário, enfrentaremos os desfalques decorrentes da convocação de Dunga, o peso do favoritismo e a decisão fora de casa. Enfim, mais um grande desafio nas nossas vidas de colorados.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A maior banda do mundo

Disse anteriormente que acompanho o Oasis disco por disco, matéria por matéria, música por música, desde 1997. Então, nada mais natural do que um dia todo de ansiedade na chuvosa terça-feira de Porto Alegre. Toda minha rotina foi invadida por ideias que remetiam a toda essa trajetória de fã que vem desde meus 12 anos e ao local do grande evento da noite. Os três CD´s da banda que estão comigo foram exaustivamente durante a tarde. Depos de escutar Dig Out Your Soul, The Masterplan e (What´s The Story) Morning Glory, de cabo a rabo, partimos, Renata, Thomaz e eu para o Gigantinho. De cara, fui tomado por mais lembranças de um passado alegre, ao encontrar muitos dos amigos que eu fiz na cidade de Passo Fundo. Para completar, referências do lugar de que saí, mas que continua em mim, se tornaram ainda mais evidentes quando coube à banda do passo-fundense Beto Bruno, abrir os trabalhos com a competência e explosão habituais. Baita show dos cães! Platéia devidamente aquecida, foram só mais alguns minutos para que chegasse o momento em que o vulcão de sentimentos guardados durante esses quase 12 anos entrasse em erupção. Veio Fuckin´ The Bushes, e o Oasis estava ali para começar o espetáculo, com Rock´N´Roll Star, um dos sons que tornaram os caras de Manchester a mais impotante banda dos anos 90 e cujos ditames continuam absolutamente atuais. Em seguida Lyla, do disco Don´t Believe The Truth, que os trouxe de volta ao estrelato. E dali por diante, uma coleção de grandes canções e competência instrumental, vocal para uma plateia absolutamenteentregue ao que acontecia. Alguns detalhes me levam a concluir que o Oasis é a grande banda destes tempos. Ao contrário das outras grandes instituições musicais da nossa época, os caras não tentam impressionar pela tecnologia, pelo jogo de luzes, pela imagem de telões gigantescos ou pelos discursos defendendo este ou aqule ponto de vista clichê. A apresentação é minimalista, no sentido de que a comunicação com o seu público é mínima, o palco é tomado apenas pelo (baita) equipamento e era isso. Tudo é voltado para o som. Como deve ser, afinal não se deve colocar a vida nas mãos de uma banda de rock, e isso é apenas rock. É claro, que há espaço para um pouco de encenação. O sincronismo que existe na falta de interação entre Noel e Liam é tão perfeito que só pode ser ensaiado. E muito embora essa estratégia publicitária e que o mau humor e arrogância façam parte importante da contrução do imaginário coletivo que envolve a banda, eu tenho certeza que tudo isso some quando começam Don´t Look Back in Anger ou Wonderwall ou Masterplan ou qualquer uma das memoráveis músicas que integram o repertório do Oasis. Que aliás teve na resposta dada pela audiência às canções de Dig Out Your Soul, a boa novidade da noite.
Na noite em que não apenas na minha mente os sonhos foram reais, o Oasis mostrou o que toda a grande banda deveria mostrar para que assim pudesse ser qualificada: que na sua essência estão as melodias, riffs e a sua poesia. As canções fazem do Oasis, o que é. A maior banda do mundo

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A mídia, o castelo e a democracia



Antes de mais nada, devo dizer que não sou defensor de Sérgio Moraes. Ao contrário, por acompanhar sua trajetória há algum tempo, afirmo que o deputado representa tudo aquilo que repudio em um político: formou-se na base do compadrio, da troca de favores, na falta de transparência, do puxa-saquismo. Também não carrego o menor apreço pelo deputado Edmar Moreira, aquele que possui um castelo no interior do estado de Minas Gerais. Confesso que quando me dou conta de que terei que aplicar as leis elaboradas por caras como eles, tenho até vontade de mandar tudo para o alto e começar de novo em outra carreira. Mas minha ideia não proferir críticas à atuação parlamentar dos dois. É sim, tecer breves comentários sobre o tratamento dado pela imprensa aos fatos ocorridos nessa semana. Não vou me deter a narrá-los, o que pode parecer contraditório, já que críticas à imprensa virão a seguir, porque creio que todos estão cientes do que tem acontecido envolvendo Moraes e Moreira (que com esses sobrenomes poderiam até formar uma dupla sertaneja).
Pois bem. É notório que pesam contra o deputado Edmar Moreira, acusações de três ordens. Criminalmente, tramita no Supremo Tribunal Federal, uma ação penal relativa ao crime (bárbaro) de apropriação indébita de contribuição previdenciária. Há no Conselho de Ética da Câmara, cujo relator é Sérgio Moraes, uma investigação por quebra de decoro parlamentar decorrente do suposto uso de verbas de representação em benefício próprio, pois os gastos seriam oriundos de prestação de serviço de segurança, por uma empresa do próprio parlamentar mineiro. E por fim, a Justiça Eleitoral acusa Moreira de não declarar que possui um castelo avaliado em R$ 25.000.000,00. A mídia brasileira, na divulgação desses acontecimentos, indiscutivelmente atribui maior repercussão ao caso do castelo. De modo sensacionalista, trata como se por si só o fato de o deputado possuir um castelo representa que houve apropriação indevida de recursos públicos e quebra de decoro parlamentar e exige a cabeça de Moreira, sem que a ocorrência dos fatos seja devidamente apurada. Indagado sobre a investigação que acontece na Câmara, Sérgio Moraes, extemporaneamente, mostrando seu total despreparo para exercer a função da qual foi investido, afirmou não ter encontrado irregularidades. Foi retrucado pela pessoa que o inquiria, que usou a existência do castelo e a reação da opinião pública em tom ameaçador.
Nesse contexto o parlamentar gaúcho proferiu a infeliz frase que se tornou famosa, mostrando seu desprezo pela opinião pública. Como eu disse antes, não pretendo discutir os políticos. Quero voltar minha atenção à atuação da mídia. É inegável que ela assumiu papel importante na reabertura política do país. Também é inegável que nesse episódio, como em tantos outros, a mídia nacional e os veículos de imprensa tem tido atuação totalitária, ditatorial, suprimindo um dos corolários da democracia: o devido processo legal. Hoje a bola da vez é o castelo. Como já foram o mensalão, a venda de sentenças, a fraude dos selos, a operação Rodin. A mídia traz a notícia, elege os culpados e exige suas cabeças com a mesma velocidade com que as informações são transmitidas. Mas assim que o tema se torna repetitivo e não vende mais jornais e revistas, deixa as capas, passa para pequenas notas e some. Parece que todos os escândalos se tornam pastas de um mesmo arquivo. Nós, consumidores da informação ficamos órfãos do desfecho das situações. Não sabemos se as nossas instituições competentes para os casos se mostram eficientes ou não. Mas de que seria necessário saber esse tipo de informação, se a mais grave sanção já foi aplicada, qual seja, a destruição da imagem.
Ouvi certa vez uma frase de Voltaire, que dizia o seguinte: “não concordo com uma palavra sequer do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las." Posso não crer que o castelo do deputado Edmar Moreira tenha sido erguido com seu próprio dinheiro. Pode o STF condená-lo, pelo crime que se constitui uma das maiores sacanagens que podem ser feitas por um empregador a seus empregados, a apropriação indébita de contribuições previdenciárias. A Câmara pode (e deve) entender que contratar empresa que pertence ao titular de um mandato e pagá-la com dinheiro público constitui falta de decoro. Mas é fundamental que todos os fatos sejam apurados, que as partes apresentem suas provas e que estas sejam submetidas a um juízo imparcial. Não posso aceitar que, em nome do lucro fácil, obtido através de frases de cunho sensacionalista e imagens chocantes revestidas de pose moralista, as empresas de comunicação coloquem em cheque garantias obtidas a um alto custo pelas gerações passadas, que visam assegurar ideais de liberdade. O mau jornalismo é tão prejudicial à democracia quanto a má política.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mundo Livre S/A: cultura, diversão e arte


Noite de segunda-feira. Tinha tudo para ser mais uma ordinária noite de segunda-feira. Não fosse a passagem pela cidade do Mundo Livre S/A, o que acabou por mudar meus planos de Tela Quente. Há anos residia em mim uma extrema curiosidade sobre as aclamadas apresentações da banda pernambucana. Creio ser necessário apresentar um breve histórico dos caras. Formada em 1984, em Recife, o Mundo Livre é um dos expoentes do movimento cultural manguebeat. Seu vocalista e principal compositor, Fred 04 redigiu em 1992 o manifesto Caranguejos com Cérebro, utilizando-se da idéia de diversidade que o ecossistema local, o mangue contém, para aplicá-la à cultura, a música. A banda representa muito bem esse conceito proposto, uma vez que seu som carrega influências regionais e universais. Da Ilha Grande à New Orleans, com passagens pelo Rio, antes de chegar a Londres para então retornar a tempo de enxergar a Tassiana sair da água.
Meu primeiro contato com a obra dos caras se deu lá pelos idos de 2000, 2001, quando nacionalmente o MSA tornou-se conhecido, com o lançamento do seu mais famoso álbum, Por Pouco, escolhido o melhor do ano no país pela revista Bizz. Mas confesso que naquela época, até por preconceito, escutei “Meu Esquema” e parei por aí. O meu interesse pelo movimento manguebeat e pelo som que vem de Pernambuco reacendeu quando assisti em 2004 um show de outra banda-ícone daquelas bandas, a Nação Zumbi. Desde então, diversas foram as passagens do Mundo Livre pelo sul, e por motivos diversos, nunca pude comparecer. Pois ontem, a história mudou, e tomado pela curiosidade fui até o Opinião com amigos para finalmente assistir Fred 04 e seus camaradas.
Qualidades do som a parte, foi uma baita experiência. No palco, o Mundo Livre mostrou um apanhado desses 25 anos de serviço. Os caras confirmaram as impressões que eu sempre tive sobre eles, quais sejam, possuem uma impressionante capacidade de absorver influências e transformá-las no seu som. Descrevem em som a sua personalidade, o local e o contexto de onde vêm. E quando cantam “mexe, mexe, mexe, mexe”, ninguém fica parado mesmo. Deixam claro que existe jeito de se divertir sem precisar apelar para a rima fácil, as frases feitas, ritmos e rótulos pré-elaborados. Provam que é possível que o entretenimento coexista com a informação. Por essas e outras que eu afirmo: o Mundo Livre S/A não é apenas uma banda, é cultura, diversão e arte.

sábado, 2 de maio de 2009

Os Gallagher e a minha paixão pelo rock

Dentro de dez dias, desembarcarão em Porto Alegre os irmãos Noel e Liam Gallagher e sua trupe para seu primeiro show na capital do Estado. Isso não é novidade. Não é novidade que eu sou um profundo admirador dessa banda de Manchester. Por isso escreverei uma série de posts em homenagem ao Oasis, até como uma forma de “esquentar” o clima para a apresentação que promete ser histórica. O primeiro que começa no parágrafo posterior vai contar como eu conheci a banda e como eles foram importantes para que eu me tornasse um fã de rock.
Pois bem. O ano era 1997. Tinha eu portanto, 12 anos de idade, e como a maioria dos guris dessa idade, estudava pela manhã e ocupava as tardes com o futebol, algo que me divertia e alimentava o meu sonho de ser o camisa 9 do Internacional. Vivendo essa rotina, o horário das 18 horas era o que me sobrava para acompanhar a televisão e ficar a toa por alguns momentos. Em casa, nossa família dispunha de TV a cabo, o que na época era algo ainda pouco difundido. Era nesse horário que eu acompanhava o finado Disk MTV . Sim, a mesma MTV que hoje passa desenhos animados sem graça, programas “formadores” de opinião e pouca música de nível, era em 1997 um canal que ainda se dedicava a trazer algo consistente para quem acompanhava sua programação. Além disso, rede de computadores era uma expressão remota. Logo, para uma mente em formação, a opção de fugir do som da FM e das aulas de música do colégio era a MTV mesmo.
E foi ali, em casa, nos meus fins de tarde que eu passei a prestar um pouco de atenção na música que vinha de outros lugares do planeta. É verdade que, com doze anos às vezes não se tem muito critério. Você acaba ouvindo coisas que na semana seguinte prefere esquecer. Mas no meio dos espinhos, duas bandas em especial floriram para mim. Uma, de uns senhores que faziam um som que misturava guitarras com uns vocais puxados para o rap. Minha reação, surpreendentemente madura para alguém daquela idade foi algo do tipo: “esses caras não podem estar ainda aí com a moral que têm fazendo esse som”. Eram os Rolling Stones, que divulgavam naquele ano o álbum Bridges to Babylon, um dos mais fracos das véias, se não for o mais fraco. O clipe trazia uma moça de rara beleza, não muito famosa à epoca, Angelina Jolie. Mas a minha inconformidade com esse som me levou a descobrir o melhor dos Stones, e a minha admiração por eles dura até hoje. A outra banda era de uns caras marrentos, que usavam umas jaquetas compridas, o cabelo na cara e faziam um som com guitarras distorcidas e melodias incríveis. Ninguém menos que o Oasis. Lembro-me perfeitamente do clipe de D´You Know What I Mean?, com um helicóptero, mas principalmente o vídeo não-linear que mostrava um acidente de moto, que realmente marcou a minha iniciação no rock, do som Stand By Me.
Esse foi o começo. Um tempo depois, veio a primeira guitarra, a discografia dos Beatles e a coisa não parou de crescer. Até descobri que o Oasis tinha discos muito melhores do que aquele que me atraiu primeiramente, Be Here Now. E o rock segue em mim. Não apenas a música, mas também a sensibilidade, o sentimento e o espírito contestador que o permeiam. Que essa passagem do Oasis por que tenha significado semelhante para outros guris de 12 anos...

http://www.youtube.com/watch?v=N9kdHXrJYF8

quinta-feira, 30 de abril de 2009

No seu Centenário, Colorado é fiel à sua história


Como de costume, assisti ao jogo de ontem do Internacional pela Copa do Brasil, diante do Náutico, na casa do adversário. Mais do que outra vitória folgada, do que a classificação para as quartas-de-final do torneio nacional que não conquistamos desde o distante ano de 1992, o que mais me deixou satisfeito na partida de ontem foi a confirmação de que esta atual equipe colorada carrega no seu futebol todos os atributos essenciais de todas as demais equipes que marcaram época no nosso amado clube.
Qualquer um que realiza uma análise atenta ao histórico do Internacional, irá constatar que, sempre que o clube cumpriu ciclos vitoriosos em suas jornadas futebolísticas, apresentou ao mundo equipes que tinham em comum os seguintes atributos: condicionamento físico exemplar, sentido de marcação impecável, caracterizado por ser sufocante e realizado em locais adiantados do gramado, brilho técnico concedido por jogadores de grande capacidade individual,mas sempre conscientes da necessidade de atuar em prol do coletivo, comportamento semelhante em jogos realizados dentro do Gigante ou em praças alheias e a determinação para sempre querer mais, que me faz imaginar, que há no vestiário vermelho uma frase de Goethe, apesar de que é difícil que alguém lá o tenha lido, que é mais ou menos assim: “ nunca nos afastamos tanto dos nossos objetivos como quando julgamos possuir o objeto desejado”.
Foi assim no passado, nas duas edições do Rolo Compressor. Foi assim nos anos 70. Foi assim na Libertadores e no Mundial. O Colorado é o clube brasileiro que ao longo da sua história melhor soube equacionar o binômio marcação-posse de bola. E muito embora a maioria dos nossos títulos tenha sido conquistada no Beira-Rio, foram muitas as jornadas gloriosas fora do nosso território, como por exemplo a vitória sobre a Máquina Tricolor de Rivelino no Maracanã, os triunfos sobre o Barcelona de Maradona no Camp Nou e no Japão, as vantagens obtidas sobre São Paulo e Estudiantes que encaminharam os recentes títulos continentais. E quando as vitórias não vieram, certamente fez falta um desses elementos em nossa equipe.
Por constatar que tudo isso tem sido mostrado por Taison, D´Ale, Nilmar, Sandro, Guinãzu, pela diretoria e comissão técnica é que fui dormir feliz. Pude verificar que, no ano e no mês em que completou 100 anos, o Internacional apresenta um time que reedita os seus melhores momentos. Que leva ao campo aquilo que é a síntese do que o torcedor colorado conceitua como bom futebol e pelo que se apaixona. Talvez não sejamos o “Rolo”, no restante do ano. Confio que é possível ganharmos tudo o que vier pela frente em 2009 e torço fiel e apaixonadamente para isso, mas no futebol, a verdade é que acontece no campo durante aqueles mágicos 90 minutos de cada jogo que começa em igualdade para todos os participantes. Mas de qualquer modo, a alegria que habitou meu coração na noite de ontem já vai servir para marcar, de modo singelo, o ano do centenário.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Apresentando-me

Não há momento na vida de qualquer um, em que o advérbio "quem" não esteja presente. Do momento em que se faz parte, voluntariamente ou não, de uma coletividade, tornam-se necessárias respostas sobre a sua essência. Logo, o ato da apresentação é impertativo, vez que o homem é "um animal político". O engraçado é que poucas são as questões tão inquientantes quanto essa. Há os que fogem. Há os que preferem mostrar algo que não são. Há os que, por absoluta falta de vocabulário não conseguem transformar sua essência em palavras. Talvez eu tenha pensado nessas três categorias, nada científicas, fruto da minha observação e de nada mais, porque me enquadre um pouco em cada uma delas. No momento, não transitam pela mente palavras mais precisas sobre mim do que as de Quintana:
"Se as coisas são inatingíveis ... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A presença distante das estrelas!"

Estou sempre matutando e procurando algo melhor. Assim que encontrar, eu aviso!

Isso não é tudo,


Guilherme