Talvez seja surpreendente, mas meu esporte preferido é o basquete. Claro, depois do futebol. Mas a verdade é que o esporte da bola laranja me fascina quase tanto quanto a paixão nacional. Me lembro de ver o Corinthians de Santa Cruz do Sul campeão nacional em 1994, de fazer meu pai viajar até lá para ver o saudoso time tricolor atuar, de ver o Bira de Lajeado, também já lamentavelmente saudoso ganhar três títulos gaúchos na sequência, acompanhar o final da carreira de Michael Jordan na NBA, do frio na barriga antes de ver o Brasil levar uma sova dos Estados Unidos tanto no masculino quanto no feminino nas Olimpíadas de Atlanta, das decepções pelas seguidas ausências do time masculino nacional na maior competição de todas, enfim de um monte de coisas. Enfim, posso dizer que acompanhei de perto a evolução do esporte nos últimos anos e pude testemunhar como o basquete nacional perdia espaço, no cenário internacional para outras potências, como a Argentina, e dentro do próprio país para outros esportes, como o vôlei, o que é profundamente lamentável. Vôlei e Argentina, sinceramente...
Mas escrevo para registrar que podemos estar diante do ressurgimento da popularidade do basquete aqui no país. O time nacional vai ponteando a Copa América e com 6 vitórias está classificada com antecipação para o Mundial do ano que vem, na Turquia. Até aí, tudo normal, sempre estivemos nos Mundiais e a classificação era obrigação mesmo. Mas o destaque que tem sido alcançado não está exatamente na vaga, mas na maneira como ela foi obtida. Há anos que víamos o Brasil disputar competições com arremedos de time, sem um plano de jogo adequado, com diversos de seus melhores jogadores em litígio com a Confederação, vaidades pessoais acima do coletivo e apostando em conceitos pelo menos 20 anos atrasados. Continuávamos a jogar como se Oscar estivesse na quadra e a linha de três pontos fosse uma inovação na regra.
E chamávamos isso de "modo brasileiro de jogar basquete". Mas nas 6 vitórias em Porto Rico, tivemos um time forte na defesa, consciente no ataque, lutador e de personalidade. Muito da mudança é fruto da contratação do treinador espanhol Moncho Monsalve, alguém que colocou o dedo na ferida. Alguém que nos fez reconhecer que o "modo brasileiro" é coisa do passado e que não cabe mais no atual cenário do basquete. Que nos fez voltar ao básico e rever pontos que um dia foram motivo de orgulho nacional, para aproveitarmos todo nosso potencial. O que é irônico é que, com uma geração de talento que tem destaques da NBA (Leandrinho, Anderson Varejão e o lesionado Nenê), na Europa (o incrível Marcelo Huertas, o melhor armador que eu já vi com a amarelinha e Tiago Splitter), há anos o Brasil era tratado como a "potência do futuro" na modalidade e ainda assim, por seus erros, pela sua própria falta de capacidade de organização, ficou anos estagnado, amargando um fiasco depois do outro. Qualquer semelhança com outras realidade tupiniquins não são mer coincidência.
Pois bem, como fã do basquete do Brasil espero que a seleção siga evoluindo, que hoje vença o Uruguai e conquiste o título no domingo. Para que essa evolução possa ser amplamente divulgada, comentada e todos nós possamos aprender com ela. E possamos nos livrar do vôlei e da Argentina...
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