quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sobre a dor e como vencê-la.

Existe algo, além da morte, que passamos a vida toda querendo evitar. Mesmo cientes de que a nossa existência é marcada pelo equilíbrio entre momentos bons e ruins, fazemos de tudo para evitar a dor. Desde muito jovem, me vi obrigado a conviver com ela, a ter que enfrentá-la. Desses eventos, aprendi a me comportar de dois modos, que podem até soar contraditórios. O primeiro modo, me leva a ser um cara que pensa muito antes de qualquer ação. Sem qualquer dado estatístico, acredito que eu, muito mais do que a média da população mundial, reflito demais antes de adotar uma posição, fazer algo ou exteriorizar o que eu sinto, justamente por temer a dor. O outro modo, e aí você vai entender porque eu disse que pode parecer contraditório, é o que acontece quando eu sinto dor. Também sem nenhuma fonte formal da informação, acredito que sou uma pessoa que sabe como poucas lidar com a dor, quando a sinto (como pode alguém que tanto foge da dor conviver bem com ela? Nem eu sei, mas esse não é o assunto, ao menos agora). Muito antes de saber que alguém tinha escrito, já tinha bem presente entre as minhas ideias e sensações aquela frase de Nietzsche (de quem não sou fã, pela sua má filosofia, demasiadamente desumana, mas também a crítica a ele não é o principal assunto do momento), que diz mais ou menos o seguinte “aquilo que não me mata, só me fortalece”. Acredito que, quando sentimos dor, e esses momentos são inevitáveis, é fundamental que possamos vivê-la e suportá-la. Se conseguirmos isso, mesmo que ela custe muito do que temos e somos, e espalhe efeitos para toda nossa existência, estaremos mais fortes na hora em que a dor passar ou ao menos não for tão intensa por estar mais distante do centro de nossas ações, e estiver apenas guardada em um canto, suplantada por momentos bons que a ela se sobrepõem.
Talvez essa capacidade que eu tenha venha de mim, do que passei. Mas acredito que na realidade, recebi de pessoas com quem eu orgulhosamente convivo, que me mostraram que isso não é uma mera filosofia de botequim ou trecho de livro de autoajuda, a quem gostaria de dedicar essas breves linhas. Me vem à mente agora, em especial, as trajetórias de vida do meu comprade Júlio e da minha prima Carolina. Se eu pensar mais um pouco, de outras histórias me lembrarei, e se for o caso, as registrarei aqui também. Gostaria muito que esse texto também inspirasse meu pai, cujo momento me levou a pensar sobre o assunto.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

SOMOS O INTER



Primeiro ato – A torcida


As associações são formadas pela união de pessoas que se unem para uma finalidade não-econômica. Por que estou recorrendo a um conceito jurídico para falar de futebol? Porque ele se encaixa perfeitamente para definir o que é o Internacional. O Internacional não é apenas um time de futebol que tem torcedores. E é diferente de outras torcidas que dizem “ter” um time. A relação entre os colorados e seus 11 em campo não é de “propriedade”. É de cumplicidade. Time e torcida são uma coisa só. Instâncias obviamente diferentes, de uma coisa só. Aqueles que vestem a camisa são a instituição que se faz presente nas disputas esportivas. Isso porque a “finalidade não-econômica” que une os colorados é a paixão pelo esporte, pelas vitórias, mas acima de tudo e mais do que isso, pelo ambiente que se criou a partir disso e da relação que se desenvolve entre os colorados e o resultado de sua união, o clube.


Segundo ato – Os profissionais
Ao ver Fernandão e Rafael Sóbis entraram em campo e serem saudados como se fossem atuar, mesmo que já não façam parte do elenco colorado, constatatei algo que confirma que, de fato, a nossa associação é diferente das demais. Em plena era do futebol-negócio, em que prevalecem interesses financeiros dos profissionais que gravitam no entorno dos clubes ,portanto relegando a paixão clubística a um plano secundário, o Internacional ainda é capaz de produzir ídolos, cuja relação com o clube transcende ao profissionalismo das disposições contratuais. Se excluirmos Rogério Ceni e o São Paulo, Marcos e o Palmeiras, talvez apenas o Colorado possa se orgulhar de uma relação como essa com seus atletas e ex-atletas.
É óbvio que o cumprimento, pelo clube, de todos os deveres a que se compromete ao contratar atletas, a disputa por títulos e a tradição de boas negociações é parte importante para que seja boa a relação entre ele e seus profissionais. Mas somente isso não levaria um ex- atleta a viajar 14 horas, passar a noite de sono em pleno voo, para então chegar a tempo de acompanhar uma partida, vestindo “o manto”. É preciso algo mais. Esse tipo de demonstração de carinho só é possível quando o profissional se sente parte de algo maior, do sentimento que se materializa e toma forma nos contornos da instituição. E o Internacional propicia isso a seus profissionais. Fernandão é a expressão maior do que estou dizendo.


Terceiro ato – A vitória sobre o Flamengo e a sequência na competição
E foi a cumplicidade que levou a torcida a cantar mais forte no momento em que o resultado era adverso e o Inter estava sendo eliminado por um Flamengo que possui uma meia cancha técnica como tradicionalmente tem, e que marca forte como não costuma, historicamente, fazer. Mas que possui uma capacidade de finalização das jogadas, tanto no momento de concluir quanto no de infiltrar, que acaba comprometendo sua produção.
Foi a relação que transcende o profissionalismo que levou o jogadores colorados a buscarem a vitória até – literalmente – o último minuto. Sim, os atletas têm o dever de sempre entrar em campo para vencer, e as vitórias são benéficas para suas carreiras e seus contratos. Mas a disposição de Guñazú, Andrezinho, e de todo o time na grande partida de ontem são provas cabais de que esses caras também são parte da nossa associação.
Seguimos adiante na Copa do Brasil. Agora, temos pela frente o Coritiba, um clube de certa tradição no cenário brasileiro, campeão do Brasileirão no ano em que nasci, 1985, e que conta com bons jogadores como “os Paraíbas”, Marcelinho e Carlinhos e o argentino Ariel, um centroavante clássico. Além do adversário, enfrentaremos os desfalques decorrentes da convocação de Dunga, o peso do favoritismo e a decisão fora de casa. Enfim, mais um grande desafio nas nossas vidas de colorados.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A maior banda do mundo

Disse anteriormente que acompanho o Oasis disco por disco, matéria por matéria, música por música, desde 1997. Então, nada mais natural do que um dia todo de ansiedade na chuvosa terça-feira de Porto Alegre. Toda minha rotina foi invadida por ideias que remetiam a toda essa trajetória de fã que vem desde meus 12 anos e ao local do grande evento da noite. Os três CD´s da banda que estão comigo foram exaustivamente durante a tarde. Depos de escutar Dig Out Your Soul, The Masterplan e (What´s The Story) Morning Glory, de cabo a rabo, partimos, Renata, Thomaz e eu para o Gigantinho. De cara, fui tomado por mais lembranças de um passado alegre, ao encontrar muitos dos amigos que eu fiz na cidade de Passo Fundo. Para completar, referências do lugar de que saí, mas que continua em mim, se tornaram ainda mais evidentes quando coube à banda do passo-fundense Beto Bruno, abrir os trabalhos com a competência e explosão habituais. Baita show dos cães! Platéia devidamente aquecida, foram só mais alguns minutos para que chegasse o momento em que o vulcão de sentimentos guardados durante esses quase 12 anos entrasse em erupção. Veio Fuckin´ The Bushes, e o Oasis estava ali para começar o espetáculo, com Rock´N´Roll Star, um dos sons que tornaram os caras de Manchester a mais impotante banda dos anos 90 e cujos ditames continuam absolutamente atuais. Em seguida Lyla, do disco Don´t Believe The Truth, que os trouxe de volta ao estrelato. E dali por diante, uma coleção de grandes canções e competência instrumental, vocal para uma plateia absolutamenteentregue ao que acontecia. Alguns detalhes me levam a concluir que o Oasis é a grande banda destes tempos. Ao contrário das outras grandes instituições musicais da nossa época, os caras não tentam impressionar pela tecnologia, pelo jogo de luzes, pela imagem de telões gigantescos ou pelos discursos defendendo este ou aqule ponto de vista clichê. A apresentação é minimalista, no sentido de que a comunicação com o seu público é mínima, o palco é tomado apenas pelo (baita) equipamento e era isso. Tudo é voltado para o som. Como deve ser, afinal não se deve colocar a vida nas mãos de uma banda de rock, e isso é apenas rock. É claro, que há espaço para um pouco de encenação. O sincronismo que existe na falta de interação entre Noel e Liam é tão perfeito que só pode ser ensaiado. E muito embora essa estratégia publicitária e que o mau humor e arrogância façam parte importante da contrução do imaginário coletivo que envolve a banda, eu tenho certeza que tudo isso some quando começam Don´t Look Back in Anger ou Wonderwall ou Masterplan ou qualquer uma das memoráveis músicas que integram o repertório do Oasis. Que aliás teve na resposta dada pela audiência às canções de Dig Out Your Soul, a boa novidade da noite.
Na noite em que não apenas na minha mente os sonhos foram reais, o Oasis mostrou o que toda a grande banda deveria mostrar para que assim pudesse ser qualificada: que na sua essência estão as melodias, riffs e a sua poesia. As canções fazem do Oasis, o que é. A maior banda do mundo

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A mídia, o castelo e a democracia



Antes de mais nada, devo dizer que não sou defensor de Sérgio Moraes. Ao contrário, por acompanhar sua trajetória há algum tempo, afirmo que o deputado representa tudo aquilo que repudio em um político: formou-se na base do compadrio, da troca de favores, na falta de transparência, do puxa-saquismo. Também não carrego o menor apreço pelo deputado Edmar Moreira, aquele que possui um castelo no interior do estado de Minas Gerais. Confesso que quando me dou conta de que terei que aplicar as leis elaboradas por caras como eles, tenho até vontade de mandar tudo para o alto e começar de novo em outra carreira. Mas minha ideia não proferir críticas à atuação parlamentar dos dois. É sim, tecer breves comentários sobre o tratamento dado pela imprensa aos fatos ocorridos nessa semana. Não vou me deter a narrá-los, o que pode parecer contraditório, já que críticas à imprensa virão a seguir, porque creio que todos estão cientes do que tem acontecido envolvendo Moraes e Moreira (que com esses sobrenomes poderiam até formar uma dupla sertaneja).
Pois bem. É notório que pesam contra o deputado Edmar Moreira, acusações de três ordens. Criminalmente, tramita no Supremo Tribunal Federal, uma ação penal relativa ao crime (bárbaro) de apropriação indébita de contribuição previdenciária. Há no Conselho de Ética da Câmara, cujo relator é Sérgio Moraes, uma investigação por quebra de decoro parlamentar decorrente do suposto uso de verbas de representação em benefício próprio, pois os gastos seriam oriundos de prestação de serviço de segurança, por uma empresa do próprio parlamentar mineiro. E por fim, a Justiça Eleitoral acusa Moreira de não declarar que possui um castelo avaliado em R$ 25.000.000,00. A mídia brasileira, na divulgação desses acontecimentos, indiscutivelmente atribui maior repercussão ao caso do castelo. De modo sensacionalista, trata como se por si só o fato de o deputado possuir um castelo representa que houve apropriação indevida de recursos públicos e quebra de decoro parlamentar e exige a cabeça de Moreira, sem que a ocorrência dos fatos seja devidamente apurada. Indagado sobre a investigação que acontece na Câmara, Sérgio Moraes, extemporaneamente, mostrando seu total despreparo para exercer a função da qual foi investido, afirmou não ter encontrado irregularidades. Foi retrucado pela pessoa que o inquiria, que usou a existência do castelo e a reação da opinião pública em tom ameaçador.
Nesse contexto o parlamentar gaúcho proferiu a infeliz frase que se tornou famosa, mostrando seu desprezo pela opinião pública. Como eu disse antes, não pretendo discutir os políticos. Quero voltar minha atenção à atuação da mídia. É inegável que ela assumiu papel importante na reabertura política do país. Também é inegável que nesse episódio, como em tantos outros, a mídia nacional e os veículos de imprensa tem tido atuação totalitária, ditatorial, suprimindo um dos corolários da democracia: o devido processo legal. Hoje a bola da vez é o castelo. Como já foram o mensalão, a venda de sentenças, a fraude dos selos, a operação Rodin. A mídia traz a notícia, elege os culpados e exige suas cabeças com a mesma velocidade com que as informações são transmitidas. Mas assim que o tema se torna repetitivo e não vende mais jornais e revistas, deixa as capas, passa para pequenas notas e some. Parece que todos os escândalos se tornam pastas de um mesmo arquivo. Nós, consumidores da informação ficamos órfãos do desfecho das situações. Não sabemos se as nossas instituições competentes para os casos se mostram eficientes ou não. Mas de que seria necessário saber esse tipo de informação, se a mais grave sanção já foi aplicada, qual seja, a destruição da imagem.
Ouvi certa vez uma frase de Voltaire, que dizia o seguinte: “não concordo com uma palavra sequer do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las." Posso não crer que o castelo do deputado Edmar Moreira tenha sido erguido com seu próprio dinheiro. Pode o STF condená-lo, pelo crime que se constitui uma das maiores sacanagens que podem ser feitas por um empregador a seus empregados, a apropriação indébita de contribuições previdenciárias. A Câmara pode (e deve) entender que contratar empresa que pertence ao titular de um mandato e pagá-la com dinheiro público constitui falta de decoro. Mas é fundamental que todos os fatos sejam apurados, que as partes apresentem suas provas e que estas sejam submetidas a um juízo imparcial. Não posso aceitar que, em nome do lucro fácil, obtido através de frases de cunho sensacionalista e imagens chocantes revestidas de pose moralista, as empresas de comunicação coloquem em cheque garantias obtidas a um alto custo pelas gerações passadas, que visam assegurar ideais de liberdade. O mau jornalismo é tão prejudicial à democracia quanto a má política.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Mundo Livre S/A: cultura, diversão e arte


Noite de segunda-feira. Tinha tudo para ser mais uma ordinária noite de segunda-feira. Não fosse a passagem pela cidade do Mundo Livre S/A, o que acabou por mudar meus planos de Tela Quente. Há anos residia em mim uma extrema curiosidade sobre as aclamadas apresentações da banda pernambucana. Creio ser necessário apresentar um breve histórico dos caras. Formada em 1984, em Recife, o Mundo Livre é um dos expoentes do movimento cultural manguebeat. Seu vocalista e principal compositor, Fred 04 redigiu em 1992 o manifesto Caranguejos com Cérebro, utilizando-se da idéia de diversidade que o ecossistema local, o mangue contém, para aplicá-la à cultura, a música. A banda representa muito bem esse conceito proposto, uma vez que seu som carrega influências regionais e universais. Da Ilha Grande à New Orleans, com passagens pelo Rio, antes de chegar a Londres para então retornar a tempo de enxergar a Tassiana sair da água.
Meu primeiro contato com a obra dos caras se deu lá pelos idos de 2000, 2001, quando nacionalmente o MSA tornou-se conhecido, com o lançamento do seu mais famoso álbum, Por Pouco, escolhido o melhor do ano no país pela revista Bizz. Mas confesso que naquela época, até por preconceito, escutei “Meu Esquema” e parei por aí. O meu interesse pelo movimento manguebeat e pelo som que vem de Pernambuco reacendeu quando assisti em 2004 um show de outra banda-ícone daquelas bandas, a Nação Zumbi. Desde então, diversas foram as passagens do Mundo Livre pelo sul, e por motivos diversos, nunca pude comparecer. Pois ontem, a história mudou, e tomado pela curiosidade fui até o Opinião com amigos para finalmente assistir Fred 04 e seus camaradas.
Qualidades do som a parte, foi uma baita experiência. No palco, o Mundo Livre mostrou um apanhado desses 25 anos de serviço. Os caras confirmaram as impressões que eu sempre tive sobre eles, quais sejam, possuem uma impressionante capacidade de absorver influências e transformá-las no seu som. Descrevem em som a sua personalidade, o local e o contexto de onde vêm. E quando cantam “mexe, mexe, mexe, mexe”, ninguém fica parado mesmo. Deixam claro que existe jeito de se divertir sem precisar apelar para a rima fácil, as frases feitas, ritmos e rótulos pré-elaborados. Provam que é possível que o entretenimento coexista com a informação. Por essas e outras que eu afirmo: o Mundo Livre S/A não é apenas uma banda, é cultura, diversão e arte.

sábado, 2 de maio de 2009

Os Gallagher e a minha paixão pelo rock

Dentro de dez dias, desembarcarão em Porto Alegre os irmãos Noel e Liam Gallagher e sua trupe para seu primeiro show na capital do Estado. Isso não é novidade. Não é novidade que eu sou um profundo admirador dessa banda de Manchester. Por isso escreverei uma série de posts em homenagem ao Oasis, até como uma forma de “esquentar” o clima para a apresentação que promete ser histórica. O primeiro que começa no parágrafo posterior vai contar como eu conheci a banda e como eles foram importantes para que eu me tornasse um fã de rock.
Pois bem. O ano era 1997. Tinha eu portanto, 12 anos de idade, e como a maioria dos guris dessa idade, estudava pela manhã e ocupava as tardes com o futebol, algo que me divertia e alimentava o meu sonho de ser o camisa 9 do Internacional. Vivendo essa rotina, o horário das 18 horas era o que me sobrava para acompanhar a televisão e ficar a toa por alguns momentos. Em casa, nossa família dispunha de TV a cabo, o que na época era algo ainda pouco difundido. Era nesse horário que eu acompanhava o finado Disk MTV . Sim, a mesma MTV que hoje passa desenhos animados sem graça, programas “formadores” de opinião e pouca música de nível, era em 1997 um canal que ainda se dedicava a trazer algo consistente para quem acompanhava sua programação. Além disso, rede de computadores era uma expressão remota. Logo, para uma mente em formação, a opção de fugir do som da FM e das aulas de música do colégio era a MTV mesmo.
E foi ali, em casa, nos meus fins de tarde que eu passei a prestar um pouco de atenção na música que vinha de outros lugares do planeta. É verdade que, com doze anos às vezes não se tem muito critério. Você acaba ouvindo coisas que na semana seguinte prefere esquecer. Mas no meio dos espinhos, duas bandas em especial floriram para mim. Uma, de uns senhores que faziam um som que misturava guitarras com uns vocais puxados para o rap. Minha reação, surpreendentemente madura para alguém daquela idade foi algo do tipo: “esses caras não podem estar ainda aí com a moral que têm fazendo esse som”. Eram os Rolling Stones, que divulgavam naquele ano o álbum Bridges to Babylon, um dos mais fracos das véias, se não for o mais fraco. O clipe trazia uma moça de rara beleza, não muito famosa à epoca, Angelina Jolie. Mas a minha inconformidade com esse som me levou a descobrir o melhor dos Stones, e a minha admiração por eles dura até hoje. A outra banda era de uns caras marrentos, que usavam umas jaquetas compridas, o cabelo na cara e faziam um som com guitarras distorcidas e melodias incríveis. Ninguém menos que o Oasis. Lembro-me perfeitamente do clipe de D´You Know What I Mean?, com um helicóptero, mas principalmente o vídeo não-linear que mostrava um acidente de moto, que realmente marcou a minha iniciação no rock, do som Stand By Me.
Esse foi o começo. Um tempo depois, veio a primeira guitarra, a discografia dos Beatles e a coisa não parou de crescer. Até descobri que o Oasis tinha discos muito melhores do que aquele que me atraiu primeiramente, Be Here Now. E o rock segue em mim. Não apenas a música, mas também a sensibilidade, o sentimento e o espírito contestador que o permeiam. Que essa passagem do Oasis por que tenha significado semelhante para outros guris de 12 anos...

http://www.youtube.com/watch?v=N9kdHXrJYF8