terça-feira, 5 de maio de 2009

Mundo Livre S/A: cultura, diversão e arte


Noite de segunda-feira. Tinha tudo para ser mais uma ordinária noite de segunda-feira. Não fosse a passagem pela cidade do Mundo Livre S/A, o que acabou por mudar meus planos de Tela Quente. Há anos residia em mim uma extrema curiosidade sobre as aclamadas apresentações da banda pernambucana. Creio ser necessário apresentar um breve histórico dos caras. Formada em 1984, em Recife, o Mundo Livre é um dos expoentes do movimento cultural manguebeat. Seu vocalista e principal compositor, Fred 04 redigiu em 1992 o manifesto Caranguejos com Cérebro, utilizando-se da idéia de diversidade que o ecossistema local, o mangue contém, para aplicá-la à cultura, a música. A banda representa muito bem esse conceito proposto, uma vez que seu som carrega influências regionais e universais. Da Ilha Grande à New Orleans, com passagens pelo Rio, antes de chegar a Londres para então retornar a tempo de enxergar a Tassiana sair da água.
Meu primeiro contato com a obra dos caras se deu lá pelos idos de 2000, 2001, quando nacionalmente o MSA tornou-se conhecido, com o lançamento do seu mais famoso álbum, Por Pouco, escolhido o melhor do ano no país pela revista Bizz. Mas confesso que naquela época, até por preconceito, escutei “Meu Esquema” e parei por aí. O meu interesse pelo movimento manguebeat e pelo som que vem de Pernambuco reacendeu quando assisti em 2004 um show de outra banda-ícone daquelas bandas, a Nação Zumbi. Desde então, diversas foram as passagens do Mundo Livre pelo sul, e por motivos diversos, nunca pude comparecer. Pois ontem, a história mudou, e tomado pela curiosidade fui até o Opinião com amigos para finalmente assistir Fred 04 e seus camaradas.
Qualidades do som a parte, foi uma baita experiência. No palco, o Mundo Livre mostrou um apanhado desses 25 anos de serviço. Os caras confirmaram as impressões que eu sempre tive sobre eles, quais sejam, possuem uma impressionante capacidade de absorver influências e transformá-las no seu som. Descrevem em som a sua personalidade, o local e o contexto de onde vêm. E quando cantam “mexe, mexe, mexe, mexe”, ninguém fica parado mesmo. Deixam claro que existe jeito de se divertir sem precisar apelar para a rima fácil, as frases feitas, ritmos e rótulos pré-elaborados. Provam que é possível que o entretenimento coexista com a informação. Por essas e outras que eu afirmo: o Mundo Livre S/A não é apenas uma banda, é cultura, diversão e arte.

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