sexta-feira, 22 de maio de 2009

SOMOS O INTER



Primeiro ato – A torcida


As associações são formadas pela união de pessoas que se unem para uma finalidade não-econômica. Por que estou recorrendo a um conceito jurídico para falar de futebol? Porque ele se encaixa perfeitamente para definir o que é o Internacional. O Internacional não é apenas um time de futebol que tem torcedores. E é diferente de outras torcidas que dizem “ter” um time. A relação entre os colorados e seus 11 em campo não é de “propriedade”. É de cumplicidade. Time e torcida são uma coisa só. Instâncias obviamente diferentes, de uma coisa só. Aqueles que vestem a camisa são a instituição que se faz presente nas disputas esportivas. Isso porque a “finalidade não-econômica” que une os colorados é a paixão pelo esporte, pelas vitórias, mas acima de tudo e mais do que isso, pelo ambiente que se criou a partir disso e da relação que se desenvolve entre os colorados e o resultado de sua união, o clube.


Segundo ato – Os profissionais
Ao ver Fernandão e Rafael Sóbis entraram em campo e serem saudados como se fossem atuar, mesmo que já não façam parte do elenco colorado, constatatei algo que confirma que, de fato, a nossa associação é diferente das demais. Em plena era do futebol-negócio, em que prevalecem interesses financeiros dos profissionais que gravitam no entorno dos clubes ,portanto relegando a paixão clubística a um plano secundário, o Internacional ainda é capaz de produzir ídolos, cuja relação com o clube transcende ao profissionalismo das disposições contratuais. Se excluirmos Rogério Ceni e o São Paulo, Marcos e o Palmeiras, talvez apenas o Colorado possa se orgulhar de uma relação como essa com seus atletas e ex-atletas.
É óbvio que o cumprimento, pelo clube, de todos os deveres a que se compromete ao contratar atletas, a disputa por títulos e a tradição de boas negociações é parte importante para que seja boa a relação entre ele e seus profissionais. Mas somente isso não levaria um ex- atleta a viajar 14 horas, passar a noite de sono em pleno voo, para então chegar a tempo de acompanhar uma partida, vestindo “o manto”. É preciso algo mais. Esse tipo de demonstração de carinho só é possível quando o profissional se sente parte de algo maior, do sentimento que se materializa e toma forma nos contornos da instituição. E o Internacional propicia isso a seus profissionais. Fernandão é a expressão maior do que estou dizendo.


Terceiro ato – A vitória sobre o Flamengo e a sequência na competição
E foi a cumplicidade que levou a torcida a cantar mais forte no momento em que o resultado era adverso e o Inter estava sendo eliminado por um Flamengo que possui uma meia cancha técnica como tradicionalmente tem, e que marca forte como não costuma, historicamente, fazer. Mas que possui uma capacidade de finalização das jogadas, tanto no momento de concluir quanto no de infiltrar, que acaba comprometendo sua produção.
Foi a relação que transcende o profissionalismo que levou o jogadores colorados a buscarem a vitória até – literalmente – o último minuto. Sim, os atletas têm o dever de sempre entrar em campo para vencer, e as vitórias são benéficas para suas carreiras e seus contratos. Mas a disposição de Guñazú, Andrezinho, e de todo o time na grande partida de ontem são provas cabais de que esses caras também são parte da nossa associação.
Seguimos adiante na Copa do Brasil. Agora, temos pela frente o Coritiba, um clube de certa tradição no cenário brasileiro, campeão do Brasileirão no ano em que nasci, 1985, e que conta com bons jogadores como “os Paraíbas”, Marcelinho e Carlinhos e o argentino Ariel, um centroavante clássico. Além do adversário, enfrentaremos os desfalques decorrentes da convocação de Dunga, o peso do favoritismo e a decisão fora de casa. Enfim, mais um grande desafio nas nossas vidas de colorados.

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