Disse anteriormente que acompanho o Oasis disco por disco, matéria por matéria, música por música, desde 1997. Então, nada mais natural do que um dia todo de ansiedade na chuvosa terça-feira de Porto Alegre. Toda minha rotina foi invadida por ideias que remetiam a toda essa trajetória de fã que vem desde meus 12 anos e ao local do grande evento da noite. Os três CD´s da banda que estão comigo foram exaustivamente durante a tarde. Depos de escutar Dig Out Your Soul, The Masterplan e (What´s The Story) Morning Glory, de cabo a rabo, partimos, Renata, Thomaz e eu para o Gigantinho. De cara, fui tomado por mais lembranças de um passado alegre, ao encontrar muitos dos amigos que eu fiz na cidade de Passo Fundo. Para completar, referências do lugar de que saí, mas que continua em mim, se tornaram ainda mais evidentes quando coube à banda do passo-fundense Beto Bruno, abrir os trabalhos com a competência e explosão habituais. Baita show dos cães! Platéia devidamente aquecida, foram só mais alguns minutos para que chegasse o momento em que o vulcão de sentimentos guardados durante esses quase 12 anos entrasse em erupção. Veio Fuckin´ The Bushes, e o Oasis estava ali para começar o espetáculo, com Rock´N´Roll Star, um dos sons que tornaram os caras de Manchester a mais impotante banda dos anos 90 e cujos ditames continuam absolutamente atuais. Em seguida Lyla, do disco Don´t Believe The Truth, que os trouxe de volta ao estrelato. E dali por diante, uma coleção de grandes canções e competência instrumental, vocal para uma plateia absolutamenteentregue ao que acontecia. Alguns detalhes me levam a concluir que o Oasis é a grande banda destes tempos. Ao contrário das outras grandes instituições musicais da nossa época, os caras não tentam impressionar pela tecnologia, pelo jogo de luzes, pela imagem de telões gigantescos ou pelos discursos defendendo este ou aqule ponto de vista clichê. A apresentação é minimalista, no sentido de que a comunicação com o seu público é mínima, o palco é tomado apenas pelo (baita) equipamento e era isso. Tudo é voltado para o som. Como deve ser, afinal não se deve colocar a vida nas mãos de uma banda de rock, e isso é apenas rock. É claro, que há espaço para um pouco de encenação. O sincronismo que existe na falta de interação entre Noel e Liam é tão perfeito que só pode ser ensaiado. E muito embora essa estratégia publicitária e que o mau humor e arrogância façam parte importante da contrução do imaginário coletivo que envolve a banda, eu tenho certeza que tudo isso some quando começam Don´t Look Back in Anger ou Wonderwall ou Masterplan ou qualquer uma das memoráveis músicas que integram o repertório do Oasis. Que aliás teve na resposta dada pela audiência às canções de Dig Out Your Soul, a boa novidade da noite.
Na noite em que não apenas na minha mente os sonhos foram reais, o Oasis mostrou o que toda a grande banda deveria mostrar para que assim pudesse ser qualificada: que na sua essência estão as melodias, riffs e a sua poesia. As canções fazem do Oasis, o que é. A maior banda do mundo
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