quinta-feira, 25 de junho de 2009

Rotina

Quem nunca disse, pensou ou ouviu frases do tipo: "tenho uma vida corrida, não posso fazer o que queria", "esses compromissos me afastam de quem eu gosto", "não tenho tempo para nada". Acredito que poucas são as pessoas que não creditam na conta da sua rotina uma parcela de frustração que eventualmente carregam. Confesso que eu também fazia parte dessa maioria até pouco tempo. Também justifiquei ausências, falhas e oportunidades perdidas pelo fato de ter vários compromissos, todos com hora marcada.
Até que um belo dia desses me deparei com algo inusitado. Depois de praticamente 20 anos tendo lugares determinados para ir diariamente, sempre na mesma bat-hora, no mesmo bat-canal, de repente, não tinha mais isso. A primeira ideia que surge em uma situação dessas é: "bah, que legal, você é um sujeito livre". Ledo engano. Foi exatamente aí, quando me "julgava livre sem sê-lo", que me vi mais escravo, pela falta de uma perspectiva concreta no meu horizonte. Foi então que eu descobri o que a rotina realmente significa: segurança. Quando você tem lugares para ir, coisas a fazer, métodos a seguir, pessoas com que se relacionar, você faz tudo com a confiança de quem de fato sabe o que está fazendo e que sabe para onde vai. Além disso, ter uma rotina, ao contrário do que se pensa, não afasta as pessoas. É pela convergência de suas rotinas que elas se aproximam. Acha absurdo? Então pense como conheceu seus amigos ou como se apegou aos lugares que vai.
Com relação ao que disse no início, as frustrações que deveras carregamos não são culpa da rotina. São sim, frutos da acomodação, da falta de imaginação, da preguiça, do mesmismo que nós mesmos atribuimos a ela. Portanto, se ligam principalmente a fatores de ordem subjetiva, não a eventos externos com os quais nos envolvemos. Trocando em miúdos, o jeito que você leva a vida é que pode tornar sua rotina chata, e não contrário.
E é por isso, por querer andar sempre para a frente, tranquilo, seguro, porém inquieto, inventivo que afirmo querer de novo, uma rotina para mim!
P.S.: Escrevo enquanto escuto o novo disco do Iggy Pop, em que ele inclui jazz, bossa nova e músicas em francês. Nada mais oportuno. Tio James segue na rotina de grandes discos, sem se acomodar nos três acordes. Ouça "King of the Dog", "How Insensative" (sim, versão de Tom) e a minha favorita Je Sais Que Tu Sais, e comprove isso...

2 comentários:

  1. Bah Guigão, é bem isso mesmo. Quando tiro aquelas férias em que só 'fico em casa', sem outros compromissos de viagem, etc, noto bem isso. Parece que faço bem menos coisas nesses dias "livres", do que nos dias em que as coisas tem um horário certo pra serem feitas.
    Belo texto, continua "mandando a letra" aí! eheh

    ResponderExcluir
  2. Bah Guigão, é bem isso. Naqueles dias em que tiro férias 'só pra ficar em casa' sinto que o dia rende muito menos do que quando tenho que planejar tudo minuto a minuto. O que temos que fazer é arrumar 'compromissos' com nós mesmos. Reservar um tempo e horário na rotina para as coisas que queremos fazer, e tratar esse cronograma a sério. Aí o tempo rende!

    ResponderExcluir