segunda-feira, 15 de junho de 2009

Não podemos ser reféns dos gurus!!!

Dias atrás, recebi a visita de meus pais em minha casa. O motivo não era apenas um encontro entre a família, mas também uma consulta médica de meu pai com o Dr. Fernando Lucchese. Ao saber que isso aconteceria, minha reação foi de desprezo e de ceticismo em relação aos benefícios que a visita ao referido médico poderia trazer ao meu velho.
Tal reação de minha parte se deveu ao fato de que costumo usar o nome do Dr. Lucchese para efetuar críticas, em primeira instância à Feira do Livro da Capital e de maneira mediata, ao modo com que nós nos relacionamos com a literatura e a cultura de modo geral. Para compreender a análise que costumo fazer, é preciso que eu volte no tempo um pouco e conte que, quando criança e vivia no interior, tinha a ideia de que a Feira do Livro era um mundo mágico que as pessoas frequentavam visando aumentar sua cultura e ampliar os horizontes do seu pensamento, através do incentivo à leitura. Quando me mudei para Porto Alegre e passei a ter acesso à Feira, me deparei com uma realidade diferente, bem menos romântica. Na verdade a Feira do Livro não é mais do que um circo montado para incentivar o consumo de livros. Acabei escolhendo o Dr. Lucchese como um ícone, um símbolo desse meu desencantamento, tendo em vista que, entra ano, sai ano, pertence a ele o topo da lista dos mais vendidos. Pode você achar bobagem ou mesquinharia o que estou dizendo, mas na verdade o que eu disse acima é apenas a ponta do iceberg. Os fatos de a Feira do Livro ter se tornado um evento apenas voltado para o consumo e de autores como o Dr. Lucchese terem se tornado campeões de venda, revelam que é cada vez maior a procura por ideias pré-concebidas, por gurus, oráculos, respostas prontas, quais sejam as perguntas. E o pior é que isso não se dá apenas no âmbito da literatura, mas também em outras instâncias da vida em sociedade. Pedro Bial, Paulo Coelho, Içami Tiba, Paulo Autuori, Roberto Shinyashiki, Dan Brown, Roberto Carlos (o cantor, que um dia foi digno de ser o “Rei”), U2, são exemplos do que estou dizendo, mas a lista é muito maior. O fato é que a grande maioria de nós, em clara demonstração de comodismo, resignação e fraqueza de raciocínio, recorre aos conceitos enlatados que vem de pessoas como essas e os aplica, em uma subsunção rígida que não se importa em questioná-los, e nem às circunstâncias de fato. Ou seja, deixamos de lado o espírito crítico, a ponderação e por isso, nos tornamos reféns dos gurus!
O engraçado, é que acabei incorrendo nesse mesmo comportamento, ao não demonstrar confiança nas capacidades profissionais do Dr. Lucchese. Esqueci de ponderar a sua trajetória como médico, seu sucesso profissional que vem de tantos anos, as necessidades do meu pai. E acabei emitindo um (pré)conceito baseado apenas no fato de seus livros serem, como são, horríveis e prestarem um serviço à desinteligência dos leitores. E como fatalmente ocorre quando se adota esse modo de pensar, acabei criando uma falsa imagem da realidade. Nesse caso, felizmente eu estava enganado. Ao visitá-lo durante o último final de semana, já notei meu pai muito mais disposto a aproveitar aquilo que a vida pode lhe oferecer. E quanta alegria isso me trouxe.
Ao menos minha tese ganhou mais força...

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