
I - O Inter, a Copa e a minha formação como colorado
O mundo era outro em 1992. Ainda me lembro como se fosse hoje. Naquele 10 de dezembro, ouvia a narração de Armindo Antônio Ranzolin (eu acho), no antigo três em um que tínhamos na sala. Tenho presente a descrição de um Beira-Rio, (que conheceria menos de uma semana depois, em um jogo da seleção brasileira diante da Alemanha) tomado de pessoas vestidas de vermelho, da pressão que o Inter impunha ao Fluminense buscando reverter o resultado da partida de ida, vencida pelo time carioca por 2x1, da angústia pela passagem em branco de 85 dos 90 minutos daquela partida. Até que Pinga cai na área adversária e o árbitro aponta para a marca fatal. Nesse momento disparo em direção ao pátio de casa, ingenuamente tentando fugir do nervosismo e do barulho decorrente da definição do lance. Em vão. Pouco depois, os gritos da vizinhança e os foguetes anunciavam que Célio Silva havia marcado, chutando de bico. O Inter ganhava a Copa do Brasil. Posso dizer que aquele torneio foi um marco inicial da minha paixão pelo clube colorado, pois foi durante a Copa que passei a acompanhar diariamente as coisas do Internacional. Por isso o time dos já citados beques, de Gérson, Marquinhos e de Gato Fernandez, das inesquecíveis defesas na disputa de pênaltis diante do nosso maior rival, tem lugar cativo na minha memória afetiva, bem como a Copa do Brasil, competição que tem, após 17 anos, novamente o Inter na decisão.
II- A passagem para a final
Chegar até o embate final acabou se tornando mais difícil do que se esperava, e do que em tese seria necessário, diante da diferença de nível entre as equipes do Inter e do Coritiba. Começou com um gol adversário dentro do Gigante, o que sempre é problemático. Mas ali o time colorado demonstrou superioridade, não se abateu, nem se intimidou com a deslealdade do adversário, igualou o marcador, virou e abriu vantagem. Senhor das ações, foi ao Paraná, diante de um Coritiba que mobilizou céus e terra para tentar a reversão. Diante de um quadro de pressão por parte do adversário, o Inter fez um mau primeiro tempo, porém apenas concedendo uma oportunidade de gol ao Coxa, brilhantemente salva por Lauro. No início da segunda etapa, os paranaenses voltaram à carga, com uma incidência perigosa, mas não clara, logo no primeiro minuto. Passado o sufoco inicial, o Inter equilibrou as ações, criou chances para definir o confronto, não as transformou em gol. Perdeu Taison, revelando um erro de formação de banco por parte do treinador Tite, que não relacionou Talles Cunha, atacante de velocidade e ficou sem jogadores dessa característia, essenciais para quem aposta nos contra-ataques. Assim, deu margem para que o Coritiba tentasse o tudo ou nada, e acabou sofrendo um gol. O nervosismo se instaurou nos corações colorados, mas logo passou, com o término do jogo. Ao final, sobraram : a vaga para a decisão, que aliás era obrigação nossa diante de um adversário de menor hierarquia, por ter menor currículo, menor torcida, menor investimento, elenco inferior e um treinador que sai da disputa e entra para o anedotário do futebol (todos nós ficamos menos inteligentes ouvindo as bobagens que disse Renê Simões, um técnico autoajuda); a certeza de que o time precisa de ajustes, especialmente quando ataca, uma vez que nossos jogadores atuam muito distantes uns dos outros, restando prejudicado o toque de bola que caracterizou o Inter até aqui e as individualidades de maior destaque, notadamente D´Alessandro e Taison; a esperança de repetir 1992, ganhar um título nacional e coroar o grande ano do clube até agora. Oportunamente, falarei sobre a grande decisão diante do Corinthians. Será que a estrela roubada voltará para casa? Cenas do próximo capítulo de uma paixão que cresce a cada dia!
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