sábado, 27 de março de 2010

Um fenômeno?!

Dia após dia, ano após ano, sempre ouço algum gaiato que diz que se não fizesse tal coisa, não saberia o que fazer da vida, pois a sua única aptidão é aquela. Afirmações do tipo "nasci para ser fisioterapeuta" ou "só sei ser vendedor". Não sei se a presença desse conceito em nosso cotidiano se dá por questões de formação, já que na concepção moderna de encarar a vida valoriza-se demasiadamente a especialização, ou se é uma questão de "dom" mesmo. Mas o fato é que hoje em dia não se vê mais um Santos Dumont, cara capaz de inventar o avião e o relógio de pulso, ou Ruy Cirne Lima, que além de grande jurista conhecia línguas e literatura como poucos nesse Estado. E que além disso, mesmo pessoas que se prestam a realizar várias atividades dificilmente são boas em mais do que uma. A Bíblia já dizia, que se servires a mais de um Senhor a um deles não o fará de todo o coração. E bom, essa afirmação que está lá no texto de Mateus, que não diz respeito à aptidão para realizar atividades específicas, mas aqui pode ser usada em um sentido analógico, ganha força quando enxergamos gênios de uma determinada área pagarem vales gigantescos em outras: os discos do Pelé ("ABC, ABC, toda criança vai ler e escrevê") são intragáveis; Michael Jordan foi um fiasco no beisebol; a maravilhosa Scarlett Johansson fracassou retumbantemente na carreira musical, etc, etc, etc. É por isso, que quando aparece alguém que se notabiliza pela competência em uma determinada atividade, migra para outra e consegue apresentar a mesma desenvoltura, é necessário tirar um tempo para exaltar essa figura. É isso que faço agora : Zoey Deschanel é um fenômeno.

A bela e talentosa atriz estado-unidense tem também uma banda, chamada She & Him, na verdade um duo dela com um músico com origem no folk, M. Ward, que nessa semana lançou o seu segundo álbum, de nome singelo, sugestivo e minimalista, Volume Two. Nele, Zoey, assim como no cinema, flerta com uma estética mais indie (Lingerie Still, Thieves) que corresponderia à parcela cult de sua trajetória no cinema (500 days of Summer, Almost Famous), e também com o pop (Riding in My Car, In The Sun na música, Yes Sir, Failur To Launch na sétima arte) e nos brinda com um som cheio de melodias assobiáveis, arranjos simples porém bem elaborados, uma voz belíssima, que remete de imediato à vocalista dos Carpenters, e o uso constante de vocalizes ao modo Beach Boys.

Ótima atriz, ótima cantora, ótimo disco. Zoey Deschanel. Não existem muitas como ela no mundo moderno...

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